As tarifas adicionais que os Estados Unidos ameaçam impor às exportações brasileiras afetariam mais da metade dos produtos vendidos para aquele país, segundo relatório divulgado na segunda-feira pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
De acordo com as novas medidas propostas, 35,2% das exportações brasileiras para os Estados Unidos seriam afetadas. Se incluídas as tarifas setoriais já em vigor, a proporção de produtos brasileiros sujeitos à tributação adicional subiria para 54,1%.
A CNI afirma que as medidas ainda não têm efeito imediato, pois, antes de uma decisão final, o governo dos Estados Unidos realizará consultas e audiências públicas para discuti-las.
A imposição de tarifas adicionais foi proposta ao presidente Donald Trump pelo Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).
Segundo o presidente da CNI, Ricardo Alban, o potencial aumento de tarifas não beneficiaria nenhuma das partes.
As tarifas propostas decorrem de duas investigações conduzidas pelo Escritório do USTR sob a Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.
Na investigação sobre o Brasil, iniciada em julho de 2025, a agência concluiu que práticas relacionadas ao comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, acesso ao etanol e combate ao desmatamento seriam restritivas ao comércio.
Como resultado, foi proposta uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com exceções para 1.698 códigos tarifários, incluindo café, suco de laranja e carne.
O Brasil também foi incluído entre as nações que, segundo o USTR, não adotam ou não aplicam efetivamente restrições à importação de bens produzidos com trabalho forçado. Neste caso, a proposta é uma tarifa adicional de 12,5%, com isenções para 1.655 códigos tarifários.
Quando ambas as medidas se aplicam ao mesmo produto, a tarifa adicional pode chegar a 37,5%.