O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva afirmou na terça-feira que os desafios globais estão aumentando enquanto a cooperação internacional está diminuindo, em discurso como convidado da sessão ampliada da Cúpula do G7, realizada na cidade francesa de Évian, informou a Presidência da República.
O presidente instou as economias mais desenvolvidas a fortalecerem seu apoio aos países em desenvolvimento e a reconstruírem os mecanismos de solidariedade internacional.
"Os desafios estão se multiplicando, mas a solidariedade internacional está diminuindo", declarou Lula durante a sessão dedicada ao tema "Forjando Novas Alianças e Reconstruindo a Solidariedade Internacional". Ele afirmou que a distância entre a prosperidade dos países ricos e a realidade enfrentada por bilhões de pessoas no Sul Global continua a aumentar.
Lula destacou que a desigualdade entre países desenvolvidos e em desenvolvimento aumentou nos últimos anos e defendeu a necessidade de corrigir as distorções de um sistema que gera riqueza abundante, mas distribui oportunidades de forma desigual. Segundo o presidente brasileiro, a comunidade internacional enfrenta uma escassez de financiamento para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 e acelerar a transição climática.
O presidente também criticou a redução da ajuda internacional ao desenvolvimento. Ele observou que a assistência oficial aos países mais pobres registrou uma queda significativa no ano passado e alertou sobre os impactos dos cortes orçamentários em organizações multilaterais dedicadas à saúde, segurança alimentar e proteção de populações vulneráveis.
Durante seu discurso, Lula afirmou que as respostas baseadas em austeridade fiscal, desregulamentação de mercado e enfraquecimento do papel do Estado não conseguiram resolver os problemas estruturais da economia global. Ele também alertou sobre o ressurgimento do protecionismo e do unilateralismo nas relações internacionais.
O presidente brasileiro também defendeu uma maior democratização do acesso às novas tecnologias e à inteligência artificial, argumentando que as transições digital e energética não devem reproduzir as desigualdades existentes entre países ricos e pobres.
Em relação à segurança, Lula pediu que o combate ao crime organizado transnacional seja incluído na agenda global de desenvolvimento, embora tenha ressaltado que qualquer esforço internacional deve respeitar a soberania dos Estados. O presidente destacou que o narcotráfico desvia recursos que poderiam ser destinados à educação, saúde e infraestrutura, e defendeu uma maior cooperação institucional entre os países para enfrentar essas ameaças.