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Estação espacial chinesa será ampliada para expandir capacidades futuras

Fonte: Diário do Povo Online    24.06.2026 09h59

A estação espacial da China vai ficar maior. A estação Tiangong, atualmente configurada em formato de “T”, será ampliada para uma estrutura em forma de cruz com a adição de um novo módulo.

A estação atual é composta pelo módulo central Tianhe e pelos módulos laboratoriais Wentian e Mengtian, formando a configuração em “T”. A primeira fase da expansão incluirá um novo módulo multifuncional da classe de 20 toneladas, que será acoplado ao módulo central para formar a nova estrutura em cruz, segundo uma reportagem do China Media Group (CMG), divulgada na segunda-feira.

“Essa expansão sempre fez parte do plano original”, afirmou Qian Hang, pesquisador da Academia Chinesa de Tecnologia de Veículos Lançadores (CALT), subsidiária da Corporação de Ciência e Tecnologia Aeroespacial da China (CASC), citado pela reportagem.

A ampliação adicionará novas portas de acoplamento, permitindo que várias espaçonaves se conectem simultaneamente à estação, além de uma nova escotilha para atividades extraveiculares e maior capacidade de armazenamento e realização de experimentos.

Segundo Qian, há dois motivos principais para a expansão. Primeiro, a demanda por pesquisas está crescendo. Com o aumento do número de experimentos realizados em órbita, os equipamentos e espaços laboratoriais estão se aproximando da capacidade máxima, tornando necessária a expansão física da estação. Em segundo lugar, espera-se que as missões tripuladas e de carga se tornem mais frequentes.

“Se as missões se intensificarem, corremos o risco de enfrentar filas para utilizar as portas de acoplamento e de não ter espaço de contingência suficiente para emergências”, explicou Qian.

Desde o início de sua operação, a estação espacial tornou-se um movimentado laboratório orbital. Até o momento, 267 projetos científicos e de aplicação já foram implementados na Tiangong. Somente no último ano, foram adicionados 86 novos experimentos em órbita, enviados cerca de 1.179 quilos de materiais científicos e retornados 105 quilos de amostras experimentais à Terra, gerando mais de 150 terabytes de dados científicos, segundo a CMG.

A estação também está se preparando para operações de longo prazo. Atualmente, ela pode acomodar três astronautas de cada vez, mas futuras missões deverão envolver tripulações maiores e permanências mais longas, exigindo melhores instalações habitacionais, equipamentos de atividade física e sistemas de suporte para emergências.

“Além dos experimentos, a estação também deverá realizar manutenção de espaçonaves, reparos de equipamentos e outras atividades de serviço em órbita”, afirmou Qian. “A configuração atual apresenta limitações para operações extraveiculares e armazenamento de suprimentos, mas a expansão nos aproximará de um complexo espacial completo, capaz de realizar uma gama mais ampla de missões”.

A cooperação internacional é outro fator importante para essa expansão. A China já abriu sua estação espacial para a participação de outros países. À medida que mais nações se envolvam em missões tripuladas e pesquisas conjuntas, a necessidade de ampliar a estação torna-se inevitável.

“Ao expandirmos a escala da nossa estação espacial, esperamos aumentar também o alcance das pesquisas espaciais, permitindo que mais instituições científicas tenham oportunidade de realizar estudos em órbita”, afirmou Yang Yuguang, presidente do Comitê de Transporte Espacial da Federação Internacional de Astronáutica (IAF).

Expansão de longo prazo

Qian descreve a ampliação como um “projeto padronizado, com interfaces unificadas entre todos os módulos, permitindo que novas secções sejam integradas rapidamente sem grandes modificações nas instalações existentes”.

O especialista em divulgação científica espacial Pang Zhihao observou que, em uma etapa posterior, outros dois módulos laboratoriais poderão ser acoplados ao novo módulo de expansão, aumentando ainda mais a capacidade da estação.

Yang Hong, projetista-chefe do sistema da estação espacial, afirmou que o plano de longo prazo prevê uma configuração com seis módulos, elevando a massa total da estação dos atuais 90 toneladas para até 180 toneladas.

Nessa fase, diferentes módulos poderão ser dedicados a áreas específicas de pesquisa, e a capacidade de acomodação de astronautas será significativamente ampliada.

A expansão não diz respeito apenas ao aumento físico da estação, mas também às suas capacidades. Um exemplo particularmente promissor é o Telescópio Espacial Xuntian, cujo lançamento está previsto para 2027. Ele operará na mesma órbita da estação espacial e poderá acoplar-se a ela quando precisar de manutenção.

O telescópio não ficará permanentemente instalado na estação para manter uma distância segura e evitar interferências causadas pelos movimentos dos astronautas e pelas vibrações dos equipamentos durante as operações normais, garantindo observações extremamente precisas. Quando precisar de reparos ou manutenção, poderá se conectar à estação para receber suporte técnico.

Esse conceito de operação em “coórbita” transforma a estação espacial em um complexo orbital abrangente, capaz de integrar habitação para astronautas, pesquisa científica, validação tecnológica e observação astronômica.

“Com a expansão da Tiangong, teremos mais oportunidades de pesquisa, e os cientistas poderão trabalhar em um ritmo mais confortável. Isso tem enorme importância para todo o programa de ciência espacial da China”, concluiu Yang.

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