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Clued-in | Comércio China-África alcança marco histórico; cooperação aberta libera novos motores de crescimento

Fonte: Diário do Povo Online    14.07.2026 14h52

Hou Xinshuo

Desde a entrada acelerada de produtos agrícolas e alimentícios africanos de alta qualidade nas mesas das famílias chinesas até à ampla aplicação de equipamentos de energia renovável, máquinas de engenharia e serviços de suporte chineses em grandes projetos de desenvolvimento na África, as relações econômicas e comerciais entre China e África vêm apresentando uma característica marcante de interação bilateral, integração em cadeia e complementaridade industrial.

Dados da Administração Geral das Alfândegas da China mostram que, nos primeiros cinco meses deste ano, o comércio exterior da China com os países africanos atingiu 1,14 trilhão de yuans, ultrapassando, pela primeira vez, a marca de 1 trilhão de yuans no mesmo período de anos anteriores, com crescimento de 18,2% em relação ao ano anterior. Esse avanço histórico não representa apenas a expansão do volume comercial. Seu significado mais profundo deve ser observado pelas mudanças estruturais: do lado das importações, destacam-se cada vez mais os produtos característicos africanos e suas vantagens em recursos naturais. Do lado das exportações, evidencia-se a capacidade chinesa em equipamentos, tecnologia e integração de cadeias industriais. O padrão de cooperação baseado na complementaridade entre oferta e demanda, na integração industrial e na conexão dos mercados entre China e África está se tornando cada vez mais claro.

A redução tarifária impulsiona o comércio. Este ano marca o 70º aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas entre China e África. A partir de 1º de maio, a China passou a aplicar uma política de tarifa zero integral para 53 países africanos que mantêm relações diplomáticas com Beijing, tornando-se a primeira grande economia do mundo a conceder unilateralmente isenção tarifária completa a todos os países africanos com relações diplomáticas e a todos os países menos desenvolvidos com os quais mantém relações diplomáticas.

Produtos característicos, como frutas sul-africanas, café etíope, e abacates quenianos passaram a enfrentar custos institucionais ainda menores para entrar no mercado chinês. Desde 2005, a China já havia começado a conceder tratamento tarifário zero a determinados produtos provenientes de países africanos menos desenvolvidos. Em 2025, o comércio entre China e África alcançou 2,49 trilhões de yuans, um aumento de 27,5 vezes em comparação com os 87,38 bilhões de yuans registrados em 2000. A contínua ampliação das políticas de abertura vem transformando os benefícios dessa abertura em crescimento comercial concreto.

O que merece ainda mais atenção é que os 1,14 trilhão de yuans não foram impulsionados por uma única categoria de produtos, mas resultam da expansão simultânea da oferta, demanda e fortalecimento da cooperação ao longo das cadeias industriais. Pelo lado das exportações, o crescimento não se limita aos bens de consumo cotidiano: a demanda por bens intermediários, bens de capital e equipamentos completos também está aumentando.

No primeiro trimestre, as exportações chinesas para a África de bens intermediários, bens de capital e bens de consumo cresceram, respectivamente, 23,3%, 43,5% e 25%. Entre eles, os bens de capital apresentaram crescimento mais acelerado, indicando que a demanda africana por equipamentos e soluções integradas para infraestrutura, transição energética e desenvolvimento industrial está aumentando. O crescimento contínuo dos bens intermediários demonstra uma conexão cada vez mais estreita entre os setores de processamento e manufatura locais africanos e as cadeias industriais chinesas.

Pelo lado das importações, em maio a China importou da África 95,13 bilhões de yuans, um aumento de 15%, mantendo crescimento por nove meses consecutivos. Produtos agrícolas de qualidade, como frutas e produtos aquáticos, registraram crescimento mensal superior a 30%. Isso demonstra que o futuro da cooperação China-África não está simplesmente em uma relação de compra e venda, mas em uma combinação de "comércio + cadeia industrial".

Setores chineses de vantagem competitiva, como equipamentos de energia renovável, armazenamento de energia, máquinas de engenharia e infraestrutura digital, continuarão contribuindo para o desenvolvimento africano. Ao mesmo tempo, áreas como o processamento profundo de produtos agrícolas, logística de cadeia fria, processamento sustentável de recursos, manutenção local, operação de equipamentos e capacitação profissional tornar-se-ão importantes pilares para que os países africanos aumentem o valor agregado de seus produtos e ampliem suas exportações para a China.

O avanço do comércio China-África para a casa dos trilhões de yuans também deve ser analisado no contexto mais amplo da contínua expansão da abertura econômica chinesa. Nos primeiros cinco meses deste ano, o comércio exterior de bens da China totalizou 20,68 trilhões de yuans, com crescimento de 15,3%. As exportações chegaram a 11,91 trilhões de yuans, alta de 11,8%, enquanto as importações alcançaram 8,77 trilhões de yuans, crescimento de 20,5%.

Diante das mudanças no cenário econômico e comercial global e do aumento do protecionismo, a China continua ampliando sua abertura institucional: implementou políticas de tarifa zero para 63 países, expandiu o número de zonas-piloto de livre comércio para 23 e mantém plataformas de abertura como a Exposição Internacional de Importação da China (CIIE) e a Exposição Internacional de Cadeias de Suprimentos da China (CISCE) funcionando de forma regular. Essas iniciativas oferecem à cooperação China-África expectativas de mercado mais estáveis e um espaço mais amplo para integração.

Como um resultado econômico simbólico do início do período do 15º Plano Quinquenal da China, o comércio China-África ultrapassar a marca de 1 trilhão de yuans representa apenas um novo ponto de partida. Com base em sete décadas de amizade e em políticas de abertura em constante evolução, o espaço para integração industrial e conexão de mercados entre China e África continuará se ampliando.

No caminho da modernização chinesa, aprofundar continuamente a cooperação econômica e comercial abrangente entre China e África não apenas beneficiará o bem-estar das populações dos dois lados, mas também contribuirá, por meio de ações práticas de abertura e cooperação, para uma nova experiência de globalização econômica mais inclusiva e acessível para todos.

(O autor é vice-diretor do Instituto de Estudos China-África da Universidade de Xiangtan e professor da Faculdade de Administração da mesma universidade)

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