O governo brasileiro classificou na quinta-feira a decisão dos Estados Unidos de impor novas tarifas de 25% sobre a maioria das importações brasileiras como um "marco lastimável" nas relações bilaterais e anunciou que responderá por meio dos mecanismos previstos na legislação nacional e na Organização Mundial do Comércio (OMC).
Em comunicado oficial divulgado pelo Palácio do Planalto, o governo declarou que a decisão dos EUA, anunciada na noite anterior, "passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável", considerando-a uma medida unilateral e injustificada.
O governo brasileiro informou que iniciará imediatamente os procedimentos para aplicar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional, e que também levará o caso ao mecanismo de solução de controvérsias da OMC.
O Brasil também afirmou que continuará trabalhando para diversificar os mercados de destino de suas exportações e adotará medidas de apoio aos setores produtivos que possam ser afetados pelas novas restrições comerciais.
A reação brasileira ocorreu horas depois de o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, formalizar uma tarifa adicional de 25% sobre a maioria dos produtos importados do Brasil, com entrada em vigor prevista para 22 de julho. A medida faz parte de uma investigação comercial conduzida pelo Escritório de Comércio dos EUA (USTR, sigla em inglês).
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, alegou que o governo brasileiro não negociou "de boa-fé" e atribuiu a decisão à condução da política econômica pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Essas declarações foram implicitamente rejeitadas pelo governo brasileiro, que defendeu a legitimidade de suas políticas e reiterou seu compromisso com a soberania nacional e as regras do comércio internacional.