De uma exposição num museu sobre a antiga cultura culinária chinesa, abrangendo dez milênios, ao restaurante chinês “China Town”, reconhecido como parte do patrimônio histórico, cultural e turístico do Rio, os "Sabores da Tradição da China" continuam contando uma história cultural transoceânica de diversas formas no Rio de Janeiro, Brasil.

Realizada em parceria pelo Museu Nacional da China e pelo Museu Histórico Nacional do Brasil, a exposição "Sabores da Tradição" está atualmente em cartaz no Rio. Com mais de cem artefatos que cobrem quase 10.000 anos de história, a mostra ilustra para o público local as conexões entre o povo chinês e sua alimentação, utensílios e modos de vida.
"Esta exposição faz mais do que apenas apresentar a história da cultura culinária chinesa, ela serve como uma ponte cultural, inspirando as pessoas a compreenderem o mundo contemporâneo sob uma nova perspectiva", afirmou Cícero Antônio Fonseca de Almeida, representante do Museu Histórico Nacional do Brasil.
Para apresentar a exposição de forma eficaz, a guia do museu Ana Karina e seus colegas consultaram uma vasta gama de materiais para obter uma compreensão sistemática dos antigos rituais de sacrifício, das preferências estéticas e da vida social na China antiga. O item com o qual ela sentiu uma conexão pessoal foi um conjunto de chá com pintura sob o esmalte, apresentando motivos de pêssegos e morcegos: "Os pêssegos simbolizam a longevidade, e a palavra para 'morcego' soa como a palavra para 'boa sorte' em chinês — é fascinante."

Karina observou que as culturas culinárias do Brasil e da China se cruzam há muito tempo. No século XVIII, com a expansão do comércio no porto do Rio, a porcelana chinesa chegou ao Brasil e tornou-se um item de luxo muito procurado pela elite local. Durante o reinado de D. João VI, no século XIX, plantas de chá foram cultivadas no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, e um grupo de chineses veio ao Brasil para participar do cultivo do chá.
"As plantas de chá vindas da China e as casas de chá em estilo chinês construídas aqui permanecem como marcos culturais no Rio até hoje", disse Karina, acrescentando que muitos espaços de arte no Rio ainda preservam porcelanas chinesas do século XVIII resgatadas de naufrágios na Baía de Guanabara. "A amizade entre o Brasil e a China é tão duradoura quanto o aroma do chá", observou ela.