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Viagens à China ganham força com busca por experiências culturais e tecnológicas

Fonte: Diário do Povo Online    06.08.2026 11h18

Turistas estrangeiras se divertem em um hotel no distrito de Jiangbei, na cidade de Ningbo, província de Zhejiang, no leste da China, em 28 de julho de 2026. (Jiang Han/Xinhua)

Neste verão, os temas "China Travel" e "China Cool" continuam em alta nas redes sociais internacionais. Alguns criadores de conteúdo estrangeiros chegaram até a popularizar a hashtag "China Summer".

O ex-deputado e líder do Partido dos Trabalhadores da Grã-Bretanha, George Galloway, compartilhou nas redes sociais sua experiência durante a viagem que fez à China em julho. Em sua publicação, escreveu: "É difícil descrever o quanto a China de 2026 está anos à nossa frente. Felizmente, um número recorde de pessoas está indo pessoalmente conferir isso".

Um internauta italiano identificado como Omar Acone comentou: "Todos queremos visitar a China porque sabemos que é um lugar extraordinário. As pessoas são muito simpáticas; é um país onde uma cultura milenar se encontra com um futuro que nós ainda não temos. É preciso mais algum motivo para ir?".

Contemplar as águas cristalinas do Lago Celestial, na Montanha Changbai; admirar as impressionantes formações naturais de Zhangjiajie; ou aproveitar o clima agradável de Liupanshui, conhecida como uma "sala de ar-condicionado natural". Além dessas paisagens refrescantes, neste verão os turistas estrangeiros também passaram a explorar mercados noturnos, conhecer o patrimônio cultural imaterial, experimentar veículos autônomos e tecnologias de inteligência artificial, descobrindo novas experiências em quase 500 cidades chinesas. Embora o calor intenso domine o Hemisfério Norte, para muitos visitantes internacionais a maneira de aproveitar o verão na China é, literalmente, muito mais "cool".

Dados da Administração Nacional de Imigração mostram que, no primeiro semestre de 2026, a China recebeu 22,914 milhões de entradas de estrangeiros, um crescimento de 20,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. Desse total, 17,815 milhões entraram no país sem necessidade de visto, representando 77,7% das entradas e um aumento superior a 30% na comparação anual. Segundo dados de plataformas de venda de passagens aéreas, desde junho o turismo europeu para a China vem crescendo rapidamente. As vendas de passagens para turistas da Finlândia aumentaram 12,4 vezes, enquanto entre os visitantes da Grécia o crescimento foi de quase 200%.

A facilidade para viajar à China está diretamente relacionada à contínua ampliação das políticas de flexibilização de vistos. Atualmente, cidadãos de 50 países podem entrar unilateralmente no país sem visto, enquanto a China mantém acordos de isenção mútua de vistos com 29 países. Além disso, cidadãos de 55 países podem ingressar na China por meio do programa de isenção de visto para trânsito de até 240 horas, utilizando um dos 65 pontos de entrada autorizados.

Ao mesmo tempo, uma série de medidas voltadas para melhorar a experiência do visitante — como serviços mais personalizados, uma rede de transporte moderna e eficiente, ampla aceitação de cartões bancários internacionais e a implementação nacional da nova política de reembolso de impostos para turistas (Tax Free 2.0) — contribuiu para impulsionar ainda mais o turismo internacional no país.

Outro aspecto que chama atenção é a mudança no perfil dos visitantes estrangeiros. Uma pesquisa da Academia de Turismo da China revela que mais de 60% dos turistas internacionais apontam "experienciar a cultura chinesa" como principal objetivo da viagem.

Muitos passaram a visitar localizações de filmes, como as retratadas em Carta de Amor para a Vovó; conhecer fábricas de veículos elétricos para observar linhas de produção inteligentes; fazer compras na famosa rua comercial Huaqiangbei, em Shenzhen, em busca de produtos para enfrentar o calor; e até viajar à China para realizar tratamentos médicos. Turismo voltado ao patrimônio cultural imaterial, à inteligência artificial e à saúde tornou-se cada vez mais popular, refletindo uma preferência por experiências mais lentas, profundas e imersivas na cultura chinesa.

Segundo Wang Yiwei, vice-diretor do Instituto de Estudos do Pensamento de Xi Jinping sobre o Socialismo com Características Chinesas para uma Nova Era, da Universidade Renmin da China, essa transformação evidencia o poder de atração da cultura chinesa. Em entrevista ao Diário do Povo Online, ele afirmou que a civilização chinesa é vasta e profunda, sendo a única grande civilização do mundo que permaneceu ininterrupta ao longo da história. Ao mesmo tempo em que preserva um legado histórico milenar, continua demonstrando grande vitalidade na contemporaneidade. O desenvolvimento das novas forças produtivas da China também desperta o interesse de visitantes estrangeiros, que buscam compreender os fatores culturais na base desse sucesso e sentir de perto a energia da civilização chinesa.

Para Dai Bin, presidente da Academia de Turismo da China, a combinação de abertura ao mundo e confiança nacional criou um ambiente descontraído e acolhedor, tornando-se um dos fatores mais profundos que atraem visitantes estrangeiros.

Do fenômeno viral "Chinamaxxing", que ganhou força no ano passado nas redes sociais, às viagens presenciais que hoje se multiplicam, a percepção internacional sobre a China vem passando por uma mudança positiva.

Uma pesquisa global divulgada em 15 de julho pelo Centro de Pesquisas Pew, dos Estados Unidos, mostrou que, em 27 países e regiões, a imagem da China é hoje mais favorável do que a dos Estados Unidos. Trata-se da primeira vez, desde 2002, que a China obtém uma avaliação geral superior em mais de 70% dos países pesquisados.

Como observam muitos internautas estrangeiros, em vez de formar opiniões baseadas em informações fragmentadas e indiretas, cada vez mais pessoas conhecem a China por meio dos relatos reais de quem esteve no país. Esses testemunhos vêm formando um vasto conjunto de experiências que permite ao público internacional enxergar uma China mais autêntica, completa e multidimensional.

Ao comentar as razões mais profundas para essa mudança positiva na percepção internacional sobre a China, Wang Yiwei afirmou que a civilização chinesa, com sua longa história, concentra em si diversas transformações vividas pela humanidade. Tanto os países desenvolvidos quanto as nações do Sul Global conseguem encontrar na China elementos que refletem suas próprias trajetórias, permitindo enxergar simultaneamente o seu passado e uma possível visão do futuro da humanidade.

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