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Empresas chinesas de IA apoiam o desenvolvimento local de grandes modelos de linguagem em mercados emergentes

Fonte: Diário do Povo Online    12.08.2026 15h43

Visitantes experimentam uma tela transparente de IA multilíngue, capaz de reconhecer e traduzir idiomas em tempo real, em um centro de experiências no campus da sede da iFLYTEK em Hefei, província de Anhui, no leste da China, em 6 de agosto de 2026. (Foto: Lin Qiujin/Xinhua)

No centro de exposições inteligente da Safaricom, a maior operadora de telecomunicações do Quênia, um humano digital, desenvolvido com o apoio de uma empresa de tecnologia chinesa, realiza demonstrações ao vivo de serviços essenciais da empresa e interpreta dados de relatórios financeiros para os visitantes, utilizando funções interativas inteligentes.

Em mercados emergentes com enorme potencial na economia digital, empresas chinesas de IA estão estabelecendo parcerias com países anfitriões para criar grandes modelos de linguagem locais, adaptados aos idiomas e às demandas industriais de cada região.

Os principais grandes modelos de linguagem globais priorizam há muito tempo idiomas amplamente falados, deixando comunidades que utilizam línguas menos difundidas sem o atendimento adequado. Especialistas alertam que países com idiomas menos utilizados correm riscos reais de serem marginalizados pela IA. Essa lacuna tecnológica tornou-se um foco estratégico para as empresas chinesas do setor.

Aproveitando sua expertise em inteligência de fala e processamento de linguagem natural, a empresa chinesa de tecnologia iFLYTEK intensificou a pesquisa e o desenvolvimento de tecnologias multilíngues. Seu grande modelo de linguagem de fala, o Spark, oferece suporte a reconhecimento de fala e interpretação simultânea para mais de 130 idiomas.

Visando o mercado da ASEAN, a iFLYTEK estabeleceu uma cooperação profunda com a Região Autônoma da Etnia Zhuang de Guangxi, no sul da China. Utilizando o vasto contingente de talentos linguísticos da região voltados para os países da ASEAN, bem como os ricos acervos linguísticos e a infraestrutura digital local, a empresa lançou a Base de Grandes Modelos Multilíngues Spark ASEAN.

A base abrange 10 idiomas, incluindo malaio, indonésio, vietnamita e tailandês. Ela oferece desempenho comparável ao dos principais modelos internacionais, porém com menor número de parâmetros, permitindo a implementação eficiente e segura de aplicações de IA específicas para diversos setores nos países membros da ASEAN.

A empresa firmou acordos de cooperação com parceiros em países como Laos, Malásia e Tailândia. Na Malásia, estabeleceu, em parceria com a Enjoy TV & Film Broadcasting Corporation, um centro inteligente de dublagem e tradução multilíngue baseado em IA. Impulsionada pelo modelo, a instalação oferece suporte à tradução em mais de 130 idiomas e visa promover um ecossistema de dublagem inteligente voltado para a Ásia.

"Grandes modelos de linguagem baseados no inglês apresentam limitações claras ao atender muitos mercados internacionais. Existe uma demanda forte e genuína por grandes modelos personalizados para idiomas locais", afirmou Dong Bin, vice-presidente do centro de marketing de marca da iFLYTEK.

Dong acrescentou que a empresa também disponibilizou seu grande modelo como código aberto, permitindo que cerca de 600.000 equipes de desenvolvedores no exterior criem produtos personalizados utilizando seus algoritmos e ferramentas de reconhecimento de fala. A empresa está promovendo a expansão internacional de soluções de IA que combinam hardware e software já comprovadas no mercado para os setores de educação, saúde e ambientes corporativos.

Cada vez mais empresas chinesas oferecem diversas opções de IA para países em desenvolvimento, utilizando variadas estratégias de negócios.

Outro exemplo é a DeepSeek, cujo modelo de código aberto oferece uma opção mais acessível para desenvolvedores africanos. Com um custo de aproximadamente 0,27 dólar americano por milhão de tokens de entrada e 1,10 dólar por milhão de tokens de saída, a solução é significativamente mais barata do que muitas alternativas. Sua natureza de código aberto reduz ainda mais as barreiras financeiras para que desenvolvedores locais possam iniciar seus projetos.

No Cairo, a Huawei lançou seu primeiro grande modelo de linguagem em árabe, com 100 bilhões de parâmetros. Treinado com conjuntos de dados locais em árabe provenientes dos setores financeiro, de energia e de petróleo e gás, o modelo alcança 96% de precisão no reconhecimento de fala e atende a mais de 20 países e regiões de língua árabe. Ele auxilia essas economias a fortalecerem sua capacidade interna de IA, utilizando dados locais que refletem seus contextos cultural e linguístico.

A empresa 01.AI, sediada em Beijing, estabeleceu uma parceria com o Cazaquistão para criar a Q.AI, visando desenvolver e implementar grandes modelos de linguagem, agentes de IA e plataformas corporativas de IA adaptados às necessidades locais.

"Respeitamos a soberania de dados local e priorizamos a implementação e a operação no próprio país, dentro de uma estrutura aberta, colaborativa e sustentável", disse Kai-Fu Lee, CEO da 01.AI. Ele acrescentou que não é recomendável que economias emergentes, como o Cazaquistão, apenas comprem modelos ou terceirizem suas capacidades de IA. Em vez disso, elas precisam desenvolver uma capacidade nacional de IA própria e autossustentável, estruturada com base em seus próprios dados, idiomas, indústrias e normas de governança.

As empresas chinesas de IA compartilham uma mentalidade clara voltada para a expansão global que consiste em capacitar parceiros locais em vez de substituí-los. Suas iniciativas buscam um crescimento digital inclusivo e auxiliam países em desenvolvimento a reduzir a exclusão digital, uma visão compartilhada tanto por empresas quanto por formuladores de políticas da China.

A Conferência Mundial de IA de 2026 foi realizada em Shanghai, no leste da China, em julho. No evento, a China defendeu o desenvolvimento da IA ​​de forma aberta e mutuamente benéfica, bem como o apoio a países do Sul Global no fortalecimento de suas capacidades em IA. O país também se comprometeu a oferecer 5.000 oportunidades de treinamento e seminários sobre IA para nações em desenvolvimento ao longo dos próximos cinco anos.

"A China incentiva o desenvolvimento de IA de código aberto; seus grandes modelos de código aberto estão entre os mais baixados do mundo e servem de base para inúmeras aplicações globalmente. Além disso, a China concentra-se em oferecer apoio concreto para fomentar a expertise local, permitindo que cada país desenvolva aplicações de IA adequadas às suas próprias condições", afirmou Xue Lan, diretor da Schwarzman College da Universidade Tsinghua, em Beijing.

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