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Primeira nuvem de computação espacial do mundo entra em operação regular em órbita, diz relatório

Fonte: Diário do Povo Online    31.08.2026 15h09

Vista de um satélite em órbita integrante da nuvem de computação espacial. (Foto: cortesia da Universidade de Correios e Telecomunicações de Beijing)

A China colocou em operação a primeira nuvem de computação orbital do mundo capaz de fornecer serviços experimentais regulares em órbita, marcando uma nova etapa na comercialização de infraestrutura de computação espacial, noticiou o Diário de Ciência e Tecnologia.

A plataforma, liderada pela Universidade de Correios e Telecomunicações de Beijing (BUPT, na sigla em inglês), entrou oficialmente em regime de operação estável, anunciou a universidade no domingo (30). O sistema permite que os usuários enviem tarefas, implantem softwares, monitorem a execução e recebam resultados por meio de um modelo de serviço que abrange todo o ciclo de vida da operação. Na prática, isso cria um fluxo de trabalho automatizado de ponta a ponta para experimentos de computação espacial, reduzindo a necessidade de operações manuais pontuais e possibilitando testes repetíveis e escaláveis.

A computação espacial refere-se à implementação de capacidade computacional no espaço, permitindo uma cobertura global contínua por meio de redes de satélites. Em comparação com os centros de dados terrestres, suas maiores vantagens residem na capacidade de resposta em tempo real e na cobertura global, segundo a Xinhua.

Desde que entrou em operação, a plataforma tem dado suporte a cenários de alta prioridade, incluindo computação de big data em órbita, testes de comunicação 6G e experimentos de armazenamento distribuído. O sistema já atendeu a centenas de solicitações de computação orbital para mais de 100 usuários, informou a BUPT.

Métricas de desempenho mostram que o sistema realiza inferência de grandes modelos com uma eficiência energética de 10 tokens por joule, utilizando ecossistemas de hardware e software de produção nacional, enquanto a cobertura de seu serviço de computação orbital ultrapassou 10%.

Segundo a universidade, a nuvem de computação espacial é composta por três componentes principais: uma plataforma de serviços em órbita, uma plataforma de serviços em estação terrestre e uma plataforma de serviços de operações. Juntos, esses sistemas conectam plataformas de satélite, servidores espaciais, estações terrestres e centros de dados terrestres por meio de orquestração de tarefas, agendamento de computação, processamento de dados e entrega de serviços, relatou o Diário de Ciência e Tecnologia.

Especialistas do setor afirmam que essas capacidades são significativas, uma vez que os sistemas de satélite tradicionais foram projetados, historicamente, para coletar dados e enviá-los de volta à Terra para processamento. Em contrapartida, a computação a bordo pode reduzir os tempos de resposta, diminuir a sobrecarga de transmissão de dados para a Terra e viabilizar operações mais inteligentes em órbita.

A BUPT informou que a nuvem de computação espacial já está oferecendo serviços contínuos em áreas como processamento de dados em tempo real, tomada de decisões inteligentes com baixa latência e atualizações iterativas das capacidades da rede de satélites.

A universidade acrescentou que o valor do projeto a longo prazo reside em ajudar o setor de informações espaciais a transitar do modelo de "fornecimento de hardware" para o de "prestação contínua de serviços". Se esta mudança escalar, poderá abrir novas oportunidades comerciais para operadoras de internet via satélite, provedores de telecomunicações e empresas espaciais comerciais.

Nos últimos anos, a China tem acelerado o desenvolvimento nos setores espacial comercial e de internet via satélite, com investimentos crescentes em veículos de lançamento reutilizáveis, satélites de órbita terrestre baixa e redes integradas espaço-terra. Nesse contexto, o lançamento de uma nuvem de computação em órbita para operações rotineiras pode se tornar um componente fundamental da futura infraestrutura espacial, afirmou na segunda-feira (31) ao Global Times Xiang Ligang, diretor-geral da Aliança de Tecnologia da Indústria de Aplicações de Consumo de Informação Moderna de Zhongguancun.

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