Recentemente, em Minas Gerais, no sudeste do Brasil, uma nova geração de robôs capazes de pintar paredes, lixar superfícies, transportar materiais, medir ambientes e até trabalhar em fachadas começa a ser testada na área da construção civil. A espectativa é de que seu uso reduza em até 30% o custo da mão de obra e dobre a produtividade nos canteiros.
A tecnologia vem da empresa BrightMaster Robotics (BMR), de Shenzhen, um dos principais polos tecnológicos da China. No Brasil, o Grupo Minas Brisa terá representação exclusiva da fabricante. O grupo pretende testar os robôs nos próprios empreendimentos, comercializar as máquinas e também oferecer serviços de operação. O grupo pretende também ampliar a oferta para outras regiões do Brasil e alcaçar mercados latino-americanos, como Argentina e México.
Cada robô custa entre R$ 250 mil e R$ 1 milhão. Porém, dependendo da atividade, uma única máquina pode alcançar produtividade equivalente à de três ou quatro trabalhadores.
A chegada dessa tecnologia coloca a construção brasileira mais perto de um movimento que já avança em mercados asiáticos: automatizar tarefas físicas repetitivas dentro do canteiro de obras.
O desempenho real dos robôs dependerá do tipo de obra, da tarefa e da utilização de cada equipamento. Os robôs de logística, por exemplo, conseguem carregar até 420kg de materiais e percorrer rotas automatizadas até as frentes de trabalho, reduzindo a necessidade de deslocamentos manuais repetitivos dentro do canteiro.
A automação não fica concentrada numa única etapa, alguns robôs podem ser utilizados no nivelamento do concreto, outros na limpeza, realizando varrição, aspiração contínua, controle de poeira e descarte automático do material recolhido.
Há também robôs para aplicação de primer e tinta em paredes, tetos e sancas, com controle automatizado do processo, capaz de realizar deslocamento vertical e executar a pintura externa de maneira automatizada.
Os trabalhadores já não precisarão realizar tarefas que exigem movimentos repetitivos ou atuar em áreas elevadas, podendo assumir funções de supervisão, programação e controle da operação, segundo a proposta defendida pelo Grupo Minas Brisa.
Com o robô que mede ambientes em 3D a até 400 metros as equipes conseguem comparar medidas e identificar diferenças durante a execução. Essa capacidade aproxima o canteiro de modelos cada vez mais digitais de engenharia.
Um dos principais obstáculos para a automação é o preço. Os robôs custam entre R$ 250 mil e R$ 1 milhão. No entanto, o Grupo Minas Brasa avalia que é possível recuperar o valor investido após a execução de aproximadamente 10 mil metros quadrados de obra.
A companhia pretende lançar R$ 5 bilhões em produtos imobiliários nos próximos cinco anos e espera que a automação passe a representar uma parcela relevante do negócio.
A empresa destaca que a segurança dos trabalhadores é tão importante quanto a produtividade e o custo.
Canteiros possuem atividades que envolvem poeira, carga elevada, movimentos repetitivos e trabalho em altura. Por isso, colocar robôs em parte dessas tarefas pode reduzir a exposição humana a determinadas situações de risco.
De acordo com o Grupo Minas Brisa, o trabalho humano não será completamente eliminado. O papel do profissional passará por mudanças, transferindo parte do esforço físico repetitivo para as máquinas e ampliando funções de supervisão e inteligência.
A chegada dos robôs coloca um setor tradicional diante de uma mudança importante. Uma única máquina pode custar até R$ 1 milhão. Porém, determinadas unidades prometem produtividade equivalente à de três ou quatro trabalhadores.
Caso os resultados dos testes realizados pelo Grupo Minas Brasa confirmem as projeções, tarefas como pintar, lixar, medir, limpar, transportar centenas de quilos e nivelar concreto poderão deixar de depender apenas do trabalho manual. E a construção brasileira poderá entrar em uma fase na qual robôs de centenas de milhares de reais dividem o canteiro com engenheiros, mestres de obras e operários.