
O embaixador da China nos Estados Unidos, Xie Feng (ao centro), observa algumas das relíquias devolvidas durante uma cerimônia de entrega realizada em Washington, D.C, em 16 de setembro de 2026. (Foto: China Daily)
Os Estados Unidos devolveram, na quarta-feira (16), 58 relíquias culturais, obras de arte e fósseis paleontológicos chineses, incluindo uma estátua de Bodhisattva proveniente das Grutas de Tianlongshan, na província de Shanxi, no norte da China, que havia sido saqueada e levada para o exterior há mais de um século.
Uma cerimônia de entrega dos itens devolvidos foi realizada na quarta-feira na embaixada da China em Washington, D.C. Segundo a embaixada, as relíquias foram restituídas por meio do Programa de Bens Culturais, Arte e Antiguidades (CPAA, na sigla em inglês) da divisão de Investigações de Segurança Interna (HSI) dos EUA.
O embaixador chinês nos EUA, Xie Feng, afirmou na cerimônia que a devolução representa anos de estreita colaboração entre as autoridades de patrimônio da China e dos EUA. Outros itens devolvidos, incluindo estatuetas de cerâmica, esculturas em pedra e fósseis, possuem significativo valor histórico, cultural e científico.
Xie disse que a entrega foi tanto um resultado importante da cooperação mutuamente benéfica entre a China e os EUA quanto um marco na proteção do patrimônio cultural.
"A devolução dessas relíquias reflete a responsabilidade de ambos os lados para com a história, o respeito pela civilização e o compromisso com a justiça, estabelecendo um exemplo positivo para a cooperação global no rastreamento e na repatriação de bens culturais perdidos", observou Xie.
Xie expressou gratidão à HSI, particularmente ao seu programa CPAA, pelos esforços contínuos, e manifestou respeito a todas as instituições e indivíduos chineses e americanos dedicados a essa causa.
Ele observou que a repatriação de relíquias culturais tornou-se uma área de cooperação altamente frutífera entre a China e os EUA.
Desde que os dois países assinaram, há 17 anos, um memorando de entendimento intergovernamental sobre a prevenção da importação ilegal de relíquias culturais chinesas para os EUA, eles têm realizado uma cooperação pragmática na prevenção do tráfico ilícito, no combate a crimes transnacionais contra bens culturais e na promoção da devolução de relíquias culturais, afirmou ele.
O memorando de entendimento foi assinado inicialmente em 2009 e, desde então, renovado em 2014, 2019 e 2024.
Rao Quan, vice-ministro da Cultura e Turismo e chefe da Administração Nacional de Patrimônio Cultural da China, disse que a repatriação foi o resultado mais recente da implementação do consenso alcançado pelos dois líderes, segundo um comunicado de imprensa da embaixada da China nos EUA.
Entre a assinatura do memorando em 2009 e março de 2025, um total de 594 itens ou conjuntos de relíquias culturais e obras de arte chinesas foram repatriados para a China pelos EUA, segundo a Agência de Notícias Xinhua.
Citando a devolução, no ano passado, dos Manuscritos de Seda de Zidanku, datados do Período dos Reinos Combatentes (475-221 a.C.), Xie afirmou que os fragmentos foram reunidos a outros itens mantidos na China e submetidos a estudos multidisciplinares.
A cooperação na preservação cultural também se aprofundou. Em 2014, a Universidade de Chicago, o Museu das Grutas de Tianlongshan e a Universidade de Tecnologia de Taiyuan lançaram um projeto de restauração digital para as Grutas de Tianlongshan.
Xie destacou que 2026 é um ano importante para as relações entre a China e os EUA, lembrando que os dois presidentes realizaram uma reunião em Beijing, em maio, na qual chegaram a um consenso sobre o novo posicionamento dos laços bilaterais, fundamentado em uma estabilidade estratégica construtiva. A devolução das relíquias é um resultado dessa reunião, disse ele.
"A cooperação frutífera entre a China e os EUA na repatriação de relíquias culturais prova, mais uma vez, que, desde que ambos os lados busquem pontos em comum com base na igualdade, no respeito e no benefício mútuo, e cooperem ativamente, é possível realizar feitos importantes, práticos e positivos que beneficiem tanto os dois países quanto o mundo", afirmou Xie.