
Kristalina Georgieva (à direita), diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), fala durante um diálogo numa edição especial do Fórum Econômico de Qatar em Nova York, Estados Unidos, em 20 de setembro de 2026. (Xinhua/Liu Yanan)
A economia mundial enfrenta riscos devido à inflação teimosa, ao aumento do custo do serviço da dívida e ao investimento em inteligência artificial (IA), embora tenha se mostrado mais resiliente do que muitos temiam, segundo Kristalina Georgieva, diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Falando em um diálogo em uma edição especial do Fórum Econômico de Qatar em Nova York no domingo, Georgieva disse: "a inflação é teimosa. Não esperamos uma resolução rápida. E isso significa que muitos bancos centrais precisam apertar."
Georgieva observou que a luta para garantir a estabilidade dos preços também aumentou o custo e a dificuldade do serviço da dívida. Há muita compreensão da necessidade da consolidação fiscal, mas não há ação suficiente, acrescentou.
Além disso, Georgieva destacou os riscos potenciais da alavancagem e do financiamento circular em investimentos em IA, dizendo que isso é "algo que precisamos ter em conta."
"Se a IA decepcionar, porque temos essas altas expectativas, se elas não se concretizarem, a decepção pode levar potencialmente a um choque para o sistema", alertou Georgieva.
O risco no financiamento de IA está "concentrado principalmente nos Estados Unidos", enquanto muitos outros players na Ásia e Europa estão incluídos na cadeia de suprimentos da IA, acrescentou Georgieva.
A nova projeção do FMI sobre a economia mundial, que será divulgada em outubro, refletirá o fato de que os riscos continuarão altos, segundo Georgieva.
"Ter um crescimento que ficaria em torno de 3% é uma conquista enorme, considerando todos os choques que temos enfrentado", disse Georgieva.
Georgieva disse notar otimismo decorrente de ações rápidas e notáveis quando necessário para conter o choque de fornecimento de energia.
"Embora haja muita conversa sobre um mundo fragmentado, e, de fato, está menos unificado, ainda é um mundo no qual somos interdependentes e cooperamos", disse Georgieva.
"Temos que ser cuidadosos e cautelosos. Os riscos são altos e a incerteza é o novo normal", acrescentou.