
O Debate Geral da 81ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas ocorre na sede da ONU, em Nova York, em 22 de setembro de 2026. (Foto: Zhang Fengguo/Xinhua)
O Debate Geral da 81ª sessão da Assembleia Geral da ONU foi aberto na sede da ONU, em Nova York, na terça-feira (22).
Khalilur Rahman, presidente da 81ª sessão da Assembleia Geral, presidiu a abertura do debate, cujo tema é "Restaurar a confiança, gerir a transformação: uma ONU que entrega resultados para todos".
Em seu discurso de abertura, Rahman ressaltou a importância de reconstruir a confiança.
"A confiança não é algo que se recebe; é algo que se conquista. E conquistamos a confiança, acredito eu, de três maneiras: primeiro, sendo inequivocamente realistas sobre onde estamos ficando para trás; segundo, analisando de forma fundamental as reformas da ONU para que ela entregue melhores resultados; e terceiro, tornando nosso trabalho mais inclusivo e envolvendo todas as partes interessadas relevantes, de todos os segmentos da nossa sociedade", disse ele.
Rahman afirmou que os Estados-membros da ONU têm, nesta sessão, a oportunidade de demonstrar que aprenderam com o que funciona, que estão preparados para enfrentar o que não funciona e que podem construir uma ONU capaz não apenas de sobreviver às mudanças, mas de moldá-las.
"Para aproveitar essa oportunidade, devemos ser realistas o suficiente para encarar verdades difíceis, ousados o suficiente para reformar e inclusivos o suficiente para trazer as pessoas certas para a mesa de negociações", disse ele. "É assim que, na minha visão, renovaremos a confiança em nossa organização e a prepararemos para o futuro."

O secretário-geral da ONU, António Guterres, profere um discurso na abertrua do Debate Geral da 81ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, ocorrido na sede da ONU, em Nova York, em 22 de setembro de 2026. (Foto: Zhang Fengguo/Xinhua)
Em seu relatório sobre a situação mundial, apresentado pouco antes da abertura do Debate Geral deste ano, o secretário-geral da ONU, António Guterres, defendeu um mundo multipolar em rede, em vez de um mundo marcado pela fragmentação e pelo transacionalismo.
"Estamos claramente caminhando para um mundo multipolar. E esse movimento é irreversível. Mas a multipolaridade pode assumir diferentes formas", disse Guterres.
"Uma possibilidade é um mundo de fragmentação e transacionalismo. Um mundo de tensões crescentes e desconfiança cada vez maior. De mercados fragmentados e instituições enfraquecidas. De cooperação em declínio e cálculos de soma zero. Em muitos aspectos, essa é a trajetória em que nos encontramos hoje", disse ele.
Mas existe outro caminho, um caminho em direção a uma multipolaridade em rede. Um mundo construído sobre a interdependência e sustentado por uma densa teia de conexões econômicas, políticas, sociais e tecnológicas; um mundo no qual múltiplos centros de influência coexistem dentro de uma estrutura comum de direito internacional e regras compartilhadas, afirmou o chefe da ONU.
"Um mundo assim pode nos ajudar a evitar tendências hegemônicas e também o que chamei de Grande Fratura: a divisão do mundo em dois blocos rivais, com sistemas econômicos, tecnológicos e de segurança distintos", disse ele. "Um mundo em rede reconhece que nenhuma potência consegue resolver sozinha os desafios de hoje."
Um mundo multipolar e em rede pode criar as condições para uma resolução de problemas globais mais equilibrada e representativa, mas isso exige um sistema multilateral centrado nas Nações Unidas que seja, ele próprio, equilibrado e representativo, com instituições fortes e eficazes que reflitam as realidades e a mudança progressiva no peso relativo de países e economias no mundo atual, e não os arranjos de poder de 80 anos atrás, afirmou Guterres.
"Felizmente, não estamos começando do zero. Já temos uma base vinculante: a Carta das Nações Unidas. E os princípios que lhe dão vida. A primazia do direito internacional. A defesa da dignidade humana. E a busca pela justiça em todas as suas dimensões. Esses são os pilares para o exercício eficaz, legítimo e responsável do poder no século XXI", disse ele.