
O Debate Geral da 81ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas é realizado na sede da ONU em Nova York, em 22 de setembro de 2026. (Foto: Zhang Fengguo/Xinhua)
Líderes mundiais pediram salvaguardas internacionais e mecanismos de supervisão mais rigorosos para a inteligência artificial (IA) na terça-feira (22), durante o debate geral da 81ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, destacando também a necessidade de equilibrar inovação, segurança e cooperação.
O secretário-geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, defendeu uma coordenação global mais forte para gerir os riscos da IA, incluindo esforços em prol de uma estrutura multilateral de gestão de riscos de IA apoiada por uma supervisão independente.
"O perigo não é a tecnologia. O perigo é a tecnologia sem responsabilização", disse Guterres, instando os países na vanguarda do desenvolvimento de IA a fortalecerem o diálogo, a transparência, a confiança e a cooperação.
Por sua vez, referindo-se à IA como "superinteligência", o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou em seu discurso que os Estados Unidos "rejeitam totalmente qualquer tentativa de criar um esquema globalista" para controlar a IA.
"Vamos incentivá-la, não contê-la", disse Trump, acrescentando que os Estados Unidos acompanhariam a tecnologia de perto, buscando manter sua liderança em IA de forma segura e responsável.
O presidente francês, Emmanuel Macron, associou a necessidade de capacidade tecnológica a uma supervisão mais rigorosa. Ele afirmou que cada região deve desenvolver seu próprio poder computacional, grandes modelos de linguagem e ecossistema de IA, mantendo a capacidade de examinar de forma independente os sistemas que utiliza.
"Devemos construir a capacidade de auditar esses modelos, em vez de depender de um punhado de atores privados", disse Macron.
Ao mesmo tempo, Macron reconheceu que já está em curso uma corrida global para desenvolver modelos de IA de fronteira e afirmou que a França pretende participar. Ele defendeu uma maior cooperação internacional em áreas particularmente sensíveis, incluindo o uso de IA no espaço, na defesa e na cibersegurança.
O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, foi além ao criticar a concentração de poder tecnológico, alertando que um pequeno grupo de empresas de tecnologia estava promovendo "uma corrida sem limites éticos", ao mesmo tempo em que ignorava a ONU e seu Painel Científico Internacional Independente sobre Inteligência Artificial.
"Seria uma omissão histórica imperdoável não enfrentar o desafio de regular as big techs e a inteligência artificial", disse Lula.
Embora grande parte do debate tenha girado em torno de salvaguardas e controle, o presidente sul-coreano Lee Jae-Myung concentrou-se em outro risco: o de que os benefícios da IA pudessem ser distribuídos de forma desigual.
Lee afirmou que a revolução da IA poderia se tornar um motor fundamental de nova prosperidade e desenvolvimento sustentável, mas que também aprofundaria a desigualdade e o desequilíbrio "caso não estejamos devidamente preparados para ela".
Ele anunciou que a Coreia do Sul criará um polo global de IA, reunindo organizações internacionais, bancos multilaterais de desenvolvimento, o setor industrial e o meio acadêmico, com o objetivo de transformar a IA em uma ferramenta para enfrentar desafios comuns, que vão desde as mudanças climáticas até questões de saúde e segurança alimentar.
O debate deveria passar da Assembleia Geral para o Conselho de Segurança da ONU na quarta-feira, quando estaria prevista uma discussão do conselho sobre IA e segurança internacional.