
A China planeja avançar no desenvolvimento de engenharia de sistemas ferroviários de alta velocidade, capazes de suportar trens que viajam a 400 km/h, buscando aproximar seus trens CR450 de nova geração da operação em larga escala.
A meta está delineada no 15º Plano Quinquenal (2026-2030) para Inovação em Ciência e Tecnologia Ferroviária, divulgado na segunda-feira pela Administração Nacional de Ferrovias. O plano estabelece prioridades que vão desde trens de maior velocidade até inteligência artificial e tecnologias verdes.
O plano prevê o desenvolvimento de uma família de modelos de trens CR450, com melhorias significativas em resistência aerodinâmica, redução de ruído e cargas por eixo, visando atender aos requisitos para operação em larga escala.
Enfatiza também a pesquisa sobre a compatibilidade dos trens com a infraestrutura de suporte — incluindo trilhos, pontes, túneis, sistemas de alimentação de energia e sinalização —, bem como esquemas de manutenção adequados para operações a 400 km/h.
Projetado para operar a 400 km/h, o CR450 seria 50 km/h mais rápido do que os atuais trens CR400 Fuxing do país.
Os dois protótipos do CR450 foram apresentados em dezembro de 2024, marcando um marco importante nos esforços da China para desenvolver trens de alta velocidade ainda mais velozes.
Em março, o China State Railway Group, a operadora ferroviária nacional, informou que os dois protótipos haviam passado por todos os testes de homologação e completado 300.000 km de avaliações operacionais.
Durante os testes, um trem CR450 atingiu 453 km/h, enquanto dois trens cruzando um pelo outro, alcançaram uma velocidade combinada de 896 km/h.
Alcançar essa velocidade operacional mais elevada exigiu avanços em frenagem, eficiência energética, controle de ruído e design leve.
Zhao Hongwei, pesquisador-chefe da Academia Chinesa de Ciências Ferroviárias, declarou anteriormente ao China Daily que o desenvolvimento de trens capazes de operar a 400 km/h apresentava desafios sem precedentes internacionais. "Não temos referências de outros países nos quais possamos nos basear", disse ela. "Precisamos ser pioneiros e encontrar as soluções necessárias para construir um trem capaz de atingir a velocidade de 400 km/h".
Segundo a operadora ferroviária, a resistência ao movimento do CR450 foi reduzida em 22% e seu peso, em 10%, em comparação com o modelo CR400.
O plano prevê também pesquisas sobre o potencial de aumento de velocidade nas ferrovias de alta velocidade existentes, incluindo adaptações nos sistemas de suporte elétrico e de sinalização. Não há previsão de quando começarão as operações comerciais a 400 km/h.
Além do CR450, o plano estabelece metas mais amplas para a inovação ferroviária até 2030, incluindo avanços em pelo menos 100 tecnologias-chave, a obtenção de pelo menos 500 grandes conquistas científicas e tecnológicas e a criação de cerca de 30 bases de inovação tecnológica para a indústria ferroviária.
A IA é outra grande prioridade, com metas que incluem a criação de pelo menos 20 conjuntos de dados industriais de alta qualidade e mais de 20 cenários de aplicação de IA.
O plano prevê o desenvolvimento de modelos de IA específicos para o setor ferroviário, visando apoiar a gestão de tráfego de trens, a manutenção da infraestrutura, o atendimento aos passageiros e o monitoramento de segurança.
Em entrevista ao jornal China Daily em março, Zhao afirmou que tecnologias de IA poderiam identificar precocemente possíveis problemas em equipamentos, analisando imagens capturadas por câmeras ao longo das vias férreas.
"A IA pode ajudar a detectar anomalias mais cedo e permitir que os engenheiros respondam com mais rapidez", afirmou.
Para os passageiros, o plano propõe transformar a plataforma de emissão de passagens ferroviárias "12306" em um serviço inteligente que abranja toda a jornada de viagem.
Wang Qiming, porta-voz da Administração Nacional de Ferrovias, declarou em uma coletiva de imprensa realizada em julho que o setor ferroviário continuaria a tornar os serviços aos passageiros mais fluidos, convenientes e confortáveis.
Ele afirmou que as autoridades ferroviárias desenvolveriam serviços de trem mais personalizados, expandiriam a oferta de trens turísticos voltados para a população idosa e manteriam a operação dos chamados "trens lentos" — serviços de interesse público — em áreas montanhosas remotas, para atender às comunidades locais.
O plano inclui ainda pesquisas sobre a integração de drones com o sistema ferroviário de alta velocidade para aprimorar a entrega de cargas na "última milha" (o trecho final da entrega). Quanto ao transporte de cargas, Wang afirmou que o setor "promoverá o transporte seguro de produtos à base de baterias de lítio por via ferroviária" e incentivará a migração do transporte rodoviário para o ferroviário de um maior volume de cargas a granel e conteinerizadas em médias e longas distâncias.
Segundo a administração, em comparação com o plano quinquenal anterior de inovação em ciência e tecnologia ferroviária, o novo roteiro estabelece a pesquisa básica e as tecnologias de fronteira como uma área prioritária distinta.
O plano será submetido ao gabinete da Comissão Central de Ciência e Tecnologia para registro, marcando a primeira vez que um plano de inovação tecnológica ferroviária é integrado ao sistema nacional de gestão de ciência e tecnologia, informou a administração.