Editorial: em tempos difíceis os vizinhos devem ajudar-se

Fonte: Diário do Povo Online    21.02.2020 10h48

Diário do Povo

Após a epidemia do novo coronavírus, a Organização Mundial de Saúde tem vindo a reiterar que não recomenda que a comunidade internacional implemente restrições ao comércio e ao turismo, apelando a todos para tomarem medidas fundamentadas. No entanto, há países que escolheram ignorar as recomendações da OMS, implementando restrições excessivas. Este tipo de conduta egoísta, não só previne o controlo eficiente da epidemia, mas cria artificialmente o pânico, desestabiliza a cooperação e mobilização de pessoas no plano internacional, compromete o mercado dos transportes aéreos e o normal desenvolvimento da economia mundial.

Perante uma epidemia, qualquer passo irracional ou menos refletido pode criar problemas secundários. Quando a OMS classificou o surto do novo coronavírus como uma “emergência de saúde pública de interesse internacional”, foi recomendada a não restrição do comércio e da movimentação de pessoas. Trata-se de um veredito profissional, emitido por uma autoridade credível, com base nos regulamentos de saúde internacionais. É neste momento óbvio que, graças às medidas resolutas de controle e prevenção exercidas pela China, o número de casos confirmados e diagnósticos fora das suas fronteiras perfaz apenas 1% do total. A Organização Internacional de Aviação Civil constatou que as medidas que não tenham em consideração as recomendações relevantes da OMS, sem fundamentação, podem produzir resultados negativos desnecessários.

“Respostas com base no medo, desinformação, racismo e xenofobia não nos salvarão de emergências como o novo coronavírus. Dezasseis juristas especializados na área da saúde de países como EUA, Reino Unido, Canadá, Suíça, Chile e Itália comentaram no jornal inglês The Lancet, lançando apelos aos países concernentes para levantarem as restrições sobre as viagens, apoiando a OMS no cumprimento dos regulamentos de saúde internacionais e para adotarem um espírito de entreajuda. Tal voz consiste na responsabilidade de respeitar as leis do direito internacional e proteção dos interesses comuns globais.

A investigação e prática científicas demonstraram que a tomada de restrições extremas, tal como a navegação aérea não reduz o risco da propagação do vírus. A imprensa estadunidense publicou um artigo onde é referido que o cancelamento de voos, cruzeiros e encerramento de fronteiras, contra as deliberações de agências internacionais, não só resulta em danos auto-infligidos, mas também no desperdício da oportunidade de aprender com erros do passado.

Na era da globalização, torna-se necessária a partilha de responsabilidades e de trabalhar em conjunto para fazer frente aos desafios. Depois do início do surto, a Tailândia, Camboja, Paquistão, Canadá e outros países tornaram claro que não irão restringir a entrada de cidadãos chineses. O presidente francês Macron afirmou que a França respeita as opiniões profissionais da OMS na resposta à epidemia, qualificando os trabalhos que têm vindo a ser desenvolvidos de “objetivos”. O consulado-geral francês em Wuhan está ainda operando.

Patty Hajdu, ministra da Saúde do Canadá, afirmou que a interdição a turistas chineses de entrarem no país não irá impedir a propagação do vírus. Hun Sen, o primeiro-ministro cambojano, visitou a China durante a epidemia para demonstrar o apoio do seu país ao governo chinês durante a luta contra a epidemia. O cônsul-geral coreano em Wuhan insistiu em manter atividade na cidade durante a epidemia. Os fatos revelam que os laços entre os países continuam fortes e resilientes, não podendo ser comprometidos por atos unilaterais.

Na era da globalização, os interesses e destinos das nações estão interligados. A resposta à epidemia não é, de modo algum, motivo para cessar as atividades económico-sociais. As atividades excessivas ou extremas servem apenas para contrariar a minimização do impacto negativo da epidemia. Com base em relatos na imprensa norte-americana, as restrições impostas pelo país devido à epidemia irão ferir severamente as empresas americanas que necessitam de produtos chineses ou que têm por alvo os clientes no país. A Goldman Sachs emitiu recentemente um relatório constatando que as restrições americanas irão reduzir a chegada de turistas chineses em 28%, bem como o consumo em $5,8 bilhões.

O presidente Xi Jinping disse recentemente em uma chamada com o seu homólogo estadunidense Donald Trump que as “epidemias requerem esforços concertados por parte de todos os países”, uma “análise calma e formulação racional de medidas de resposta”. Em resposta a crises de saúde pública, não devemos entrar em pânico e implantar o caos com medidas restritivas excessivas. Na era da globalização, o ato de tratar os outros países como uma ameaça e tirar proveito do seu estado de debilidade apenas resultará em danos aos interesses nacionais e aos interesses comuns de todos os países.

(Web editor: Renato Lu, editor)

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