O Porto de Livre Comércio de Hainan, o maior do mundo em área territorial, localizado na província mais ao sul da China, iniciou operações alfandegárias especiais em toda a ilha de Hainan em dezembro de 2025, ressaltando o firme compromisso da China em aprofundar sua abertura econômica de alto nível e promover uma economia global inclusiva, observou o professor brasileiro Marcus De Freitas, docente convidado da Universidade de Relações Exteriores da China.
Com oito anos de experiência profissional na China, Freitas manifestou interesse crescente em compreender a narrativa chinesa. Ele afirmou que o modelo de desenvolvimento chinês representa a melhor abordagem para crescimento, especialmente para os países do Sul Global.
Em meio aos preparativos para o 15º Plano Quinquenal do país, o acadêmico ressaltou que a cultura de planejamento estratégico da China oferece uma previsibilidade essencial para investidores, instituições e a sociedade, exemplificando uma paciência estratégica cada vez mais escassa na governança global atual.
Na Conferência Central de Trabalho Econômico, realizada em dezembro, foi mencionado que o impacto das incertezas no ambiente externo está se aprofundando e que é necessário fortalecer os fundamentos internos para enfrentar desafios, além de manter a abertura e promover a cooperação mutuamente benéfica em várias áreas.
O professor destacou que o país não utiliza as incertezas globais como pretexto para o isolamento, mas sim como uma oportunidade para consolidar seus fundamentos internos enquanto mantém a abertura. Em meio ao crescente protecionismo global, a China demonstra confiança por meio de medidas como a expansão do acesso ao mercado, a melhoria do ambiente de negócios e o apoio a estruturas econômicas multilaterais.
No ano passado, a China e o Brasil expandiram significativamente sua cooperação em áreas como comércio, transição verde, inovação tecnológica, intercâmbios culturais e coordenação multilateral no âmbito do Sul Global. Freitas afirmou que essas áreas combinam a complementaridade econômica de ambos os lados com prioridades comuns de desenvolvimento, alcançando benefícios recíprocos tangíveis.
Freitas alertou que a fragmentação econômica global ameaça o crescimento, mas enfatizou que as políticas de abertura da China ajudam a manter os canais de comércio, investimento e intercâmbio tecnológico. Em contraste com o uso excessivo de políticas tarifárias e restrições a investimentos estrangeiros por parte de países ocidentais, a abordagem chinesa oferece um caminho alternativo.
Mesmo diante de práticas comerciais desleais direcionadas à China por parte de alguns países, o professor projetou que a economia chinesa demonstrará resiliência para estabilização e recuperação em 2025. Ele descreveu o mercado interno chinês como um dos ativos estratégicos mais valiosos do mundo, cuja imensa escala, diversidade e potencial de modernização funcionam como amortecedor eficaz contra volatilidades externas, ao mesmo tempo que ampliam oportunidades de participação internacional em seu crescimento.
O professor definiu a modernização chinesa, enraizada em uma civilização milenar, como uma das conquistas mais extraordinárias da humanidade contemporânea. Acadêmicos estrangeiros, segundo ele, buscam ativamente compreender suas experiências de governança e conceitos de coexistência harmoniosa.
Seu objetivo, disse o acadêmico brasileiro, é facilitar uma compreensão mais profunda sobre a China. A experiência da China merece ser contada ao mundo, afirmou.