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Consumo experiencial impulsiona novo modelo de turismo na China

Fonte: Diário do Povo Online    28.02.2026 10h23

Num estúdio de cerâmica no distrito de Rongchang, no município de Chongqing, no sudoeste da China, Yang Hanlin, de 9 anos, prende a respiração enquanto suas pequenas mãos moldam cuidadosamente um pedaço de argila que gira sobre a roda de oleiro, sob a orientação atenta de um instrutor.

Nestas férias de inverno, Yang, acompanhado da mãe e da irmã, viajou de Luzhou, na vizinha província de Sichuan, até Chongqing com um objetivo claro: produzir sua própria peça de cerâmica de Rongchang, uma arte tradicional com mais de mil anos de história.

“Brinquei com argila na escola e foi muito divertido”, contou Yang. “Hoje eu queria fazer um bule. Não consegui desta vez, mas na próxima farei um melhor”.

A rotina tradicional de viagens, baseada em visitar pontos turísticos, tirar fotos e comprar lembranças, está atravessando mudanças. As férias de Yang fazem parte de uma nova tendência de “consumo experiencial orientado pelo conhecimento”, na qual viajantes buscam experiências práticas e o aprendizado de habilidades de acordo com seus interesses pessoais.

A tendência está remodelando padrões de viagem e estilos de vida em toda a China, manifestando-se de diversas formas. No Parque Temático de Patrimônio Cultural Imaterial de Wuxi, na cidade de Huaihua, província central de Hunan, visitantes passam horas sentados ao lado de tecelãs da etnia Dong, aprendendo técnicas tradicionais de brocado e vendo padrões intrincados ganharem forma em suas próprias mãos. Já em Rizhao, na província de Shandong, até estudantes universitários britânicos foram recentemente vistos praticando com entusiasmo movimentos de artes marciais chinesas.

A lembrança de viagem mais importante já não é um chaveiro produzido em fábrica, mas uma nova habilidade ou uma compreensão cultural mais profunda.

Huang Xia, proprietária do estúdio de cerâmica Shanyutang, em Rongchang, sentiu essa mudança de perto. “Hoje, os turistas procuram mais do que comida e entretenimento”, disse ela. “Muitos que experimentam a cerâmica aqui acabam se apaixonando e desenvolvendo gradualmente novas habilidades e hobbies”.

Esse desejo crescente de aprender algo novo também está se estendendo aos espaços urbanos. Em uma sala de treinamento para baristas na área comercial de Jiefangbei, no distrito de Yuzhong, em Chongqing, alunos se reúnem ao redor do balcão, praticando a arte do latte ao moldar a espuma de leite em nítidas gravuras misturam com o café espresso.

Para atender à crescente demanda de viajantes e entusiastas do café, instituições de treinamento lançaram cursos curtos e envolventes. Zheng Xinle, responsável pelo programa de formação em café da Professional Coffee Athletics (PCA), afirmou que em 2025 foram introduzidos cursos de duas a três horas voltados a iniciantes, despertando grande interesse. No primeiro ano do programa, quase mil participantes obtiveram certificados de entusiasta.

Até mesmo os museus, tradicionalmente vistos como instituições formais, aderiram à tendência. No “Tesouro de Pipashan”, do Instituto de Pesquisa de Relíquias Culturais e Arqueologia de Chongqing, os limites das visitas convencionais estão sendo redefinidos.

Os visitantes podem entrar em um sítio arqueológico simulado, utilizando espátulas e pincéis para remover cuidadosamente a terra e revelar réplicas de artefatos, como verdadeiros arqueólogos. Na área de restauração, podem montar fragmentos de cerâmica e repará-los com adesivos especiais.

Da cerâmica ao café, passando pela arqueologia simulada, essas experiências diversas refletem uma transformação mais ampla no mercado consumidor chinês. Dados do Departamento Nacional de Estatísticas indicam que, de janeiro a agosto de 2025, as vendas no varejo de serviços cresceram 5,1% em comparação anual, superando o crescimento dos bens. Cada vez mais, os consumidores — especialmente os mais jovens — direcionam seus gastos para serviços baseados em experiências, que proporcionam enriquecimento pessoal e desenvolvimento de competências específicas.

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