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O mundo não pode voltar à "Era da Selva"

Fonte: Diário do Povo Online    05.03.2026 16h19

Zhao Qiaohong e Jiang Yue, Diário do Povo

A situação no Oriente Médio corre o risco de ser empurrada para o abismo. As operações militares devem ser interrompidas imediatamente. A comunidade internacional precisa unir esforços para promover a paz, a contenção e defender coletivamente o direito internacional e os princípios fundamentais das relações internacionais.

Recentemente, os Estados Unidos e Israel realizaram ataques militares contra o Irã sem consultar ou obter autorização do Conselho de Segurança da ONU. Esse ato representa uma violação flagrante do direito internacional e dos princípios básicos das relações internacionais, colocando o Oriente Médio em perigo de cair no abismo. A comunidade internacional deve se unir para promover a paz, buscar a calma e defender o direito internacional e os princípios fundamentais das relações internacionais.

O “princípio da proibição do uso da força” é a base da segurança no sistema internacional contemporâneo. Já antes da Segunda Guerra Mundial, o Pacto de Paris sobre a Não Guerra havia estabelecido esse consenso. Após o fim da guerra, a Carta das Nações Unidas criou mecanismos para manter a paz e prevenir conflitos, estabelecendo claramente que não se pode usar a força para afetar a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado.

A vitalidade do direito internacional reside em sua universalidade, e sua autoridade é garantida pela sua inviolabilidade. As ações arbitrárias dos Estados Unidos e Israel minam não apenas a estabilidade do Oriente Médio, mas também os alicerces da paz mundial.

Os Estados Unidos afirmaram que o Irã estava desenvolvendo seu programa nuclear e planejando mísseis capazes de atingir território americano como justificativa para o ataque. No entanto, após a ação militar, o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, declarou claramente que não foram encontradas evidências de um plano sistemático de fabricação de armas nucleares no Irã.

Os fatos demonstram que a escolha de atacar por parte dos Estados Unidos e Israel se deve acima de tudo a considerações políticas. Ao atacar arbitrariamente outro país com base em sua vantagem militar, analistas americanos alertam que o hegemonismo dos EUA está mostrando sua verdadeira face e perde cada vez mais controle.

Após os ataques militares dos Estados Unidos e Israel ao Irã, a comunidade internacional se manifestou de forma unânime contra essa ação. O secretário-geral da ONU, António Guterres, destacou que a Carta das Nações Unidas estabelece as bases para manter a paz e a segurança internacionais e que o direito internacional e o direito humanitário devem ser sempre respeitados.

A Organização de Cooperação de Shanghai emitiu um comunicado enfatizando que o uso da força é inaceitável e apoiando a resolução do conflito com base no direito internacional e nos princípios da Carta da ONU, por meio de diálogo, respeito mútuo e considerando os interesses legítimos de todas as partes. A Liga Árabe chamou a comunidade internacional a agir rapidamente para acalmar a situação e evitar que a região caia em um ciclo crescente de instabilidade e violência.

A forma como se trata o direito internacional e a ordem internacional reflete a visão de mundo, a concepção de ordem e o sentido de responsabilidade de um país. A força nunca resolve os problemas de fato; pelo contrário, gera novos problemas e graves consequências. A comunidade internacional deve agir para defender coletivamente o direito internacional e os princípios fundamentais das relações internacionais.

As operações militares devem ser interrompidas imediatamente. O trágico ataque a uma escola primária no Irã choca os limites éticos da humanidade. À medida que a catástrofe humanitária se agrava, a segurança do estreito estratégico de Ormuz, via crucial para o comércio energético mundial, também é seriamente afetada, e o risco de que mais forças sejam arrastadas para o conflito aumenta rapidamente.

A expansão da guerra não beneficia nenhuma das partes, e a linha vermelha de proteger os civis em um conflito armado não pode ser ultrapassada sob nenhuma circunstância. A prioridade é evitar a escalada da tensão e prevenir a propagação da guerra por todo o Oriente Médio. A comunidade internacional deve garantir a segurança dos países do Golfo e apoiá-los na gestão de seu futuro e destino.

O diálogo e as negociações devem ser reiniciados o quanto antes. A resolução pacífica da questão nuclear iraniana por meios políticos e diplomáticos é a única opção correta, alinhada com os interesses comuns da comunidade internacional. Recentemente, as negociações entre os Estados Unidos e o Irã haviam alcançado progressos, oferecendo uma rara oportunidade para a resolução pacífica do conflito. Infelizmente, esse processo foi interrompido pela violência. Diante dessa situação crítica, as partes devem retomar as conversações o quanto antes, apoiar o trabalho objetivo e imparcial da Agência Internacional de Energia Atômica e reorientar a questão nuclear iraniana para uma resolução pacífica.

As ações unilaterais devem ser rejeitadas coletivamente. A comunidade internacional deve resistir a qualquer comportamento que viole o direito internacional. Nenhuma grande potência pode atacar arbitrariamente outro país com base em sua superioridade militar; o mundo não pode voltar à “era da selva”.

Atacar um Estado soberano sem a autorização do Conselho de Segurança da ONU prejudica gravemente o direito internacional e os princípios fundamentais das relações internacionais, que se baseiam nos objetivos e princípios da Carta das Nações Unidas. A comunidade internacional deve enviar uma mensagem clara e firme, opondo-se categoricamente à intimidação unilateral, às ameaças de força, à imposição da vontade de um país sobre outro e ao uso da força em detrimento da justiça.

Atualmente, o conflito continua e a situação segue escalando. Diante dessa situação altamente perigosa, a comunidade internacional deve permanecer firmemente ao lado da paz e da justiça, promovendo conjuntamente a pronta restauração da paz e da estabilidade no Oriente Médio.

Como uma grande potência responsável, a China trabalhará junto à comunidade internacional para mediar e interromper a guerra, contribuindo construtivamente para esfriar a situação regional e manter a paz e a estabilidade no Oriente Médio e no mundo.

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