O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, afirmou na quinta-feira (2) que as ações do Conselho de Segurança da ONU não devem fornecer cobertura legal para operações militares não autorizadas, nem devem acirrar as tensões ou escalar o conflito.
Wang, que é também membro do Birô Político do Comitê Central do Partido Comunista da China, fez essas observações durante uma conversa telefônica com Kaja Kallas, a Alta Representante para Assuntos Exteriores e Política de Segurança da Comissão Europeia.
Kallas compartilhou suas visões sobre a situação no Oriente Médio e elogiou os esforços ativos de mediação diplomática da China para amenizar a situação, incluindo a mais recente iniciativa conjunta de cinco pontos, apresentada pela China e pelo Paquistão, visando restaurar a paz e a estabilidade no Golfo e no Oriente Médio.
O lado europeu não esteve envolvido nesta guerra, mas sofreu com seus efeitos colaterais, lamentou ela, expressando a esperança de uma rápida desescalada do conflito e da retomada do diálogo e das negociações.
O lado europeu apoia as operações humanitárias da ONU, a proteção de civis e de alvos não militares, e realizará todos os esforços para garantir a abertura da navegação através do Estreito de Ormuz, afirmou ela.
Wang disse que, em meio à atual turbulência internacional, é responsabilidade compartilhada da China e da Europa intensificar a comunicação e os intercâmbios, bem como defender o sistema internacional centrado na ONU e a ordem internacional baseada no direito internacional.
Wang detalhou a posição de princípio da China sobre a situação no Oriente Médio, observando que a iniciativa de cinco pontos proposta pela China e pelo Paquistão reflete um amplo consenso internacional, cujos elementos centrais incluem a cessação das hostilidades, o início de conversações de paz o mais breve possível, a garantia da segurança de alvos não militares e das rotas de navegação, e a salvaguarda da primazia da Carta da ONU.
Um cessar-fogo e o fim das hostilidades constituem um forte apelo da comunidade internacional, sendo também a solução fundamental para garantir a navegação segura através do Estreito de Ormuz, disse Wang, acrescentando que todas as partes devem construir um consenso mais amplo e criar as condições necessárias para esse fim.
As ações do Conselho de Segurança da ONU devem focar em acalmar a situação e desescalar as tensões, afirmou Wang, acrescentando que a China está pronta para manter a comunicação e a cooperação com o lado europeu, a fim de promover um fim precoce das hostilidades e restaurar a paz regional.
Os dois lados também trocaram opiniões sobre as relações entre a China e a UE. Wang afirmou que o desenvolvimento da China representa oportunidades para a Europa e que os desafios enfrentados pela Europa não têm origem na China.
O protecionismo não aumenta a competitividade, e o desacoplamento da China significa o desacoplamento das oportunidades, ponderou Wang, expressando a esperança de que o lado europeu desenvolva uma percepção abrangente e objetiva da China e mantenha a direção correta das relações entre a China e a UE.
Kallas declarou que o lado europeu vê a China como um importante parceiro de cooperação, não busca o desacoplamento da China e almeja manter o diálogo e a comunicação entre as duas partes.