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Brasil assume presidência da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul e busca fortalecer cooperação regional

Fonte: Xinhua    07.04.2026 14h33

O Brasil assumirá a presidência da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (ZOPACAS) durante a 9ª Reunião Ministerial do mecanismo, que será realizada nos dias 8 e 9 de abril no Rio de Janeiro, com a participação de 24 países da América do Sul e da África.

Criada em 1986 sob os auspícios das Nações Unidas, a ZOPACAS visa manter o Atlântico Sul como uma região livre de armas de destruição em massa e promover a cooperação entre os Estados litorâneos. O bloco é composto por Brasil, Argentina e Uruguai, além de 21 países da costa oeste africana, do Senegal à África do Sul.

Como país anfitrião da reunião, o Brasil assumirá a presidência do mecanismo por um período de dois a três anos, sucedendo Cabo Verde.

As autoridades brasileiras buscam aproveitar esta nova fase para fortalecer a cooperação entre os países membros, consolidando seu compromisso de longa data com a paz regional. "Esta é uma zona de paz, mas também de cooperação. E esse aspecto ainda não atingiu todo o seu potencial", afirmou o secretário de Assuntos Políticos Multilaterais do Ministério das Relações Exteriores, o diplomata Carlos Márcio Bicalho Cozendey, em declarações à imprensa.

Durante a reunião ministerial, espera-se a assinatura de três documentos-chave: uma convenção sobre o meio ambiente marinho, uma estratégia de cooperação que estabelecerá áreas prioritárias de atuação e a chamada Declaração do Rio de Janeiro, de caráter político.

Segundo o diplomata, a ênfase será a consolidação de iniciativas conjuntas em áreas estratégicas, incluindo proteção ambiental, desenvolvimento sustentável e segurança marítima.

Cozendey destacou que, embora a declaração final tenha conteúdo político, não se espera que inclua referências diretas a conflitos internacionais atuais, como os do Oriente Médio ou da Europa Oriental.

"Não se deve esperar uma declaração sobre todos os acontecimentos atuais", afirmou.

Não obstante, a reunião servirá para reafirmar o compromisso dos países do Atlântico Sul com a paz e a estabilidade regional, bem como para evitar interferências de potências externas. "O objetivo é deixar claro que esta é uma região pacífica e que os próprios países têm a capacidade e o interesse de mantê-la como uma zona de paz e segurança, evitando que conflitos externos se transfiram para a região", explicou.

O Ministério das Relações Exteriores também espera a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sessão de encerramento do encontro.

Com este encontro, o Brasil busca revitalizar o papel da ZOPACAS em um contexto internacional marcado por tensões geopolíticas, fortalecendo a cooperação Sul-Sul e promovendo uma agenda comum entre a América do Sul e a África.

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