O comércio entre o Brasil e a China apresentou crescimento sólido em março de 2026, consolidando o país asiático como o principal parceiro comercial da maior economia da América Latina, enquanto o comércio com os Estados Unidos registrou mais uma queda, segundo dados oficiais divulgados na terça-feira.
As exportações brasileiras para a China aumentaram 17,8% em março, atingindo um total de US$ 10,49 bilhões, em comparação com US$ 8,903 bilhões no mesmo mês do ano anterior. No lado das importações, as compras procedentes do gigante asiático cresceram 32,9%, para US$ 6,664 bilhões.
Como resultado, o Brasil registrou um superávit comercial de US$ 3,826 bilhões com a China em março, refletindo a força da demanda chinesa por produtos brasileiros, especialmente matérias-primas e alimentos.
No primeiro trimestre de 2026, as exportações para a China cresceram 21,7% em relação ao ano anterior, atingindo US$ 23,89 bilhões, enquanto as importações caíram 6,0%, para US$ 17,907 bilhões. Isso permitiu ao Brasil manter um superávit comercial de US$ 5,983 bilhões durante o período.
Esse desempenho reforça a importância estratégica da China como um destino fundamental para as exportações brasileiras e como um fator determinante para o saldo comercial positivo do país sul-americano.
Em contrapartida, o comércio com os EUA continuou a apresentar sinais de fragilidade. As exportações brasileiras para aquele país caíram 9,1% em março, totalizando US$ 2,894 bilhões, em comparação com US$ 3,182 bilhões no mesmo mês de 2025.
As importações a partir dos EUA também diminuíram 6,31%, para US$ 3,314 bilhões e o Brasil registrou um déficit comercial de US$ 420 milhões com a economia americana em março.
A queda nas exportações para os EUA marca o oitavo declínio consecutivo, em um contexto influenciado pelas tarifas adicionais impostas aos produtos brasileiros desde meados de 2015. Apesar da eliminação de algumas dessas medidas, aproximadamente 22% das exportações brasileiras ainda enfrentam altas tarifas.
No período de janeiro a março, as vendas para os EUA caíram 18,7%, atingindo US$ 7,781 bilhões, enquanto as importações recuaram 11,1%, para US$ 9,169 bilhões. Consequentemente, o déficit comercial com aquele país chegou a US$ 1,388 bilhão no período.
Os dados demonstram uma crescente divergência na dinâmica comercial do Brasil com seus dois principais parceiros, com a China ampliando seu peso relativo e os EUA enfrentando uma deterioração nos fluxos comerciais bilaterais.