O governo brasileiro apresentou nesta quarta-feira à Organização Mundial da Saúde (OMS) uma proposta para criar uma regulamentação global com o objetivo de fortalecer as regras de marketing e publicidade de alimentos ultraprocessados, com ênfase na proteção de crianças e adolescentes, informou o Ministério da Saúde.
A iniciativa foi apresentada durante a Assembleia Mundial da Saúde, realizada em Genebra, e inclui medidas para limitar a promoção, a venda e o patrocínio desses produtos em escolas, unidades de saúde, eventos esportivos e culturais, além de regulamentar o marketing digital direcionado a crianças.
De acordo com a proposta brasileira, os países devem adotar critérios claros, baseados em evidências científicas, para classificar os alimentos ultraprocessados e estabelecer mecanismos de monitoramento da exposição da população a esses tipos de produtos.
O Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, defendeu a necessidade de uma ação coordenada internacionalmente em resposta ao aumento do consumo global de alimentos ultraprocessados e seus impactos na saúde pública. Segundo o documento promovido pelo Brasil, há evidências consistentes que ligam o alto consumo desses alimentos à obesidade, doenças cardiometabólicas, transtornos mentais e mortalidade prematura.
A proposta também busca restringir práticas de marketing consideradas agressivas, como o uso de celebridades, personagens infantis, publicidade em videogames e publicidade personalizada com base em dados digitais.
O Brasil argumenta que as medidas voluntárias adotadas pela indústria alimentícia se mostraram insuficientes para conter o aumento da obesidade e de outras doenças relacionadas à alimentação, principalmente entre menores de idade.
A iniciativa conta inicialmente com o apoio de países latino-americanos como México e Uruguai, e o governo brasileiro pretende ampliar o apoio internacional para que a proposta possa ser votada formalmente na OMS em 2027.