
Dois fortes terremotos atingiram a Venezuela na quarta-feira (24), matando pelo menos 164 pessoas e deixando 971 feridos, após dezenas de edifícios desabarem, transformando-se em montes de concreto e aço retorcidos em Caracas e arredores.
Um terremoto de magnitude 7,2 atingiu uma área a cerca de 160 quilômetros a oeste de Caracas, seguido, menos de um minuto depois, por um tremor de magnitude 7,5, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). Os dois terremotos, os mais fortes a atingir o país em 126 anos, ocorreram quando muitos venezuelanos estavam em casa, aproveitando um feriado.
O Centro de Alerta de Tsunami do Pacífico dos EUA emitiu vários alertas de tsunami, que foram rapidamente cancelados.
Delcy Rodríguez, presidente em exercício da Venezuela, afirmou que o estado costeiro de La Guaira, no norte do país, foi o mais atingido, descrevendo a região como uma "zona de desastre" onde dezenas de edifícios desabaram completamente.
"O estado de La Guaira vive uma verdadeira tragédia", disse Rodríguez à televisão estatal venezuelana.
Operações de resgate estavam em andamento enquanto o país declarava estado de emergência após os fortes terremotos; espera-se que o número de vítimas e a extensão dos danos aumentem.
Embora a Venezuela esteja situada próxima a várias falhas geológicas, sua posição na junção das placas Sul-Americana e do Caribe torna terremotos fortes muito menos comuns do que em outras partes da América Latina.
Rodriguez apelou às empresas para que disponibilizassem equipamentos pesados de construção para as operações de resgate, acrescentando que equipes de busca e salvamento certificadas pelas Nações Unidas estavam a caminho da Venezuela para prestar assistência.
Ela afirmou que as autoridades estavam deslocando equipes de resgate de outras partes do país para La Guaira, cidade costeira ao norte de Caracas, e acrescentou que as equipes tentavam aproveitar ao máximo as horas de luz do dia para acelerar os esforços de resgate de pessoas que, acredita-se, ainda estejam presas sob os escombros.
A presidente em exercício informou que o governo estava criando um fundo de reconstrução de US$ 200 milhões para hospitais e residências danificados pelos terremotos, e que o ministro da Economia e Finanças foi instruído a supervisionar a iniciativa.
Transmissões de televisão na quinta-feira mostravam equipes de resgate utilizando ferramentas elétricas para abrir caminho entre pilhas de escombros. Muitas pessoas que procuravam por desaparecidos pareciam ser cidadãos comuns, e não profissionais da área. Prédios desabados, postes de eletricidade derrubados e escombros bloqueavam as ruas.
Durante os tremores, as pessoas fugiram de prédios que oscilavam em Caracas, muitas ficaram visivelmente chocadas ao retornar e ver paredes destruídas que deixavam móveis expostos à visão de quem estava na rua. Colunas de poeira erguiam-se em dois bairros da capital normalmente movimentados.
Partes da capital ficaram sem energia elétrica e sinal de celular, os terremotos danificaram e levaram ao fechamento do Aeroporto Internacional Simón Bolívar, o principal do país, disse Rodriguez. Em Caracas, o serviço de metrô foi suspenso e o fornecimento de gás natural, interrompido, informou ela.
Escolas cancelaram as aulas por vários dias, e o Ministério da Educação anunciou que alguns prédios escolares seriam utilizados como abrigos e centros de coleta de doações. Equipes de emergência escalavam os escombros de prédios desabados em Caracas à medida que a noite caía, enquanto familiares angustiados buscavam ajuda para entes queridos que temiam estar presos.
Sobreviventes atordoados foram retirados do local, alguns em macas. A falta de cobertura de telefonia celular em partes da Venezuela agravou a angústia de muitas famílias, especialmente daquelas que fazem parte dos mais de 7,7 milhões de pessoas que deixaram o país durante a crise prolongada e que enfrentavam dificuldades para contatar parentes que permaneceram no território.
Líderes de países como El Salvador, República Dominicana, Brasil e Espanha ofereceram apoio e solidariedade. O Departamento de Estado dos EUA informou que estava em contato com as autoridades venezuelanas e mobilizando assistência.