
Local do Acelerador de Íons Pesados de Alta Intensidade (HIAF, na sigla em inglês) em Huizhou, província de Guangdong, no sul da China. (Deng Hua/Xinhua)
A China iniciou nesta terça-feira as operações de teste do Acelerador de Íons Pesados de Alta Intensidade (HIAF, na sigla em inglês), após sua conclusão e aceitação tecnológica oficial, marcando um importante marco na busca do país para desvendar os segredos dos blocos fundamentais do universo.
Segundo o professor Yang Jiancheng, vice-diretor do Instituto de Física Moderna da Academia Chinesa de Ciências e engenheiro-chefe do projeto HIAF, esta instalação científica de ponta internacional, localizada em Huizhou, na província de Guangdong, no sul da China, está equipada com o feixe de íons pesados pulsados de maior intensidade do mundo e o espectrômetro de anel mais preciso para medição de massa nuclear. Ela servirá como uma ferramenta poderosa para que os cientistas explorem os limites dos núcleos atômicos, revelem processos astrofísicos nucleares e impulsionem o desenvolvimento da energia nuclear e suas aplicações multidisciplinares.
Enquanto projeto nacional de mega ciência fundamental construído pelo IFM, o HIAF gerou com sucesso seu primeiro feixe em outubro de 2025, após um período de construção de sete anos.
Yang explicou que os íons pesados de alta velocidade gerados pela instalação atuam como "balas de canhão microscópicas" que colidem com os alvos, criando condições extremas de alta temperatura e pressão.
Durante experimentos recentes de comissionamento, o HIAF alcançou níveis de intensidade sem precedentes para feixes de íons de oxigênio e bismuto, superando os recordes internacionais anteriores em 3,0 e 7,5 vezes, respectivamente.
Em termos de pesquisa fundamental, o HIAF ajudará os cientistas a encontrar os limites dos núcleos atômicos. Ele pode simular ambientes extremos, como o interior de estrelas, explosões de supernovas e os estágios iniciais do Big Bang, auxiliando na exploração da estrutura profunda da matéria, afirmou Yang.
Na área de aplicações, o HIAF pode ser usado para testar a resistência à radiação de espaçonaves, impulsionar o desenvolvimento da energia nuclear e facilitar a pesquisa de materiais funcionais. No campo médico, a instalação contribuirá significativamente para o avanço da terapia do câncer com íons pesados e para o desenvolvimento de novos medicamentos com isótopos.