Jornalistas de alguns dos principais veículos de comunicação do Brasil concordaram nesta quarta-feira que a melhor maneira de entender o rápido processo de modernização da China é visitar o país e vivenciar sua realidade em primeira mão, durante um encontro organizado pela Embaixada da China no Brasil para promover o intercâmbio entre profissionais da mídia dos dois países.
O evento reuniu jornalistas brasileiros que, nos últimos anos, participaram de programas de intercâmbio e viagens organizadas pelo China Media Group (CMG), pela Embaixada da China e por outras instituições chinesas. Eles compartilharam suas experiências e refletiram sobre como essas visitas transformaram suas perspectivas sobre o gigante asiático.
"Para melhor compreender a velocidade do crescimento da China, seu alcance e a escala de sua transformação, é necessário visitar a China", lembrou Gilberto Smaniotto, jornalista da Rede Bandeirantes, citando uma frase que ouviu do embaixador brasileiro na China, Marcos Galvão, durante sua visita a Beijing em 2017.
Smaniotto afirmou que a viagem lhe permitiu constatar que as relações entre Brasil e China não se baseiam apenas em acordos comerciais ou cifras econômicas, mas também em contato pessoal, confiança e amizade. Acrescentou que a experiência enriqueceu o trabalho jornalístico do Grupo Bandeirantes, que desde então ampliou sua cobertura sobre assuntos chineses.
O jornalista destacou aspectos que ele e outros colegas observaram durante suas viagens por diferentes regiões da China, como a hospitalidade do povo, a segurança, o planejamento urbano e o desenvolvimento tecnológico. Ele também destacou que um dos elementos que mais o impressionou foi constatar que o processo de modernização do país não significou o abandono de suas tradições culturais.
Douglas Dias, da TV Record, relatou que esperava visitar cidades costeiras, mas foi enviado a Chongqing, uma das maiores metrópoles do interior da China. Lá, ficou impressionado com a engenharia urbana, a integração de montanhas, rios e infraestrutura, bem como a extensa rede de transporte e a qualidade das estradas e dos serviços públicos.
Segundo Dias, a infraestrutura foi crucial para impulsionar o desenvolvimento econômico e reduzir as desigualdades territoriais, facilitando a participação de regiões remotas em atividades produtivas e turísticas. Ele também destacou o desenvolvimento tecnológico observado nas indústrias, centros de pesquisa e projetos de preservação do patrimônio cultural, como o Museu Subaquático do Rio Yangtzé.
O jornalista acrescentou que visitar comunidades rurais também mudou sua percepção do país e concluiu que somente uma visita permite compreender a complexidade da China. "Só entendemos a China quando vamos até lá, quando vemos o país e seus detalhes", afirmou.
Guilherme Portanova, apresentador da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), afirmou que a viagem lhe permitiu compreender como a China transformou desafios históricos em oportunidades por meio de planejamento, investimento em infraestrutura e inovação. Ele considerou que, embora as soluções não possam ser automaticamente copiadas em outros países, muitas experiências chinesas podem servir de inspiração para lidar com problemas semelhantes.
Ernesto Neves, editor de economia da revista Veja, declarou que a velocidade da transformação econômica, a infraestrutura e a expansão tecnológica foram os aspectos que mais o impressionaram. Em sua opinião, a experiência ampliou sua compreensão de um país que desempenha um papel cada vez mais importante tanto na economia global quanto na brasileira.
Isadora Perón, jornalista do Valor Econômico, explicou que a visita lhe permitiu conhecer empresas de diversos setores e observar tecnologias que estão começando a chegar ao Brasil, como os sistemas de armazenamento de energia em baterias de íon-lítio. Ela também destacou a oportunidade de conversar com empresários chineses interessados em expandir seus negócios com o Brasil e de conhecer os desafios que enfrentam, principalmente em relação à tributação.
Os participantes concordaram que o intercâmbio entre jornalistas brasileiros e chineses ajuda a reduzir estereótipos, aprimorar o entendimento mútuo e oferecer ao público uma visão mais próxima e abrangente da transformação econômica, tecnológica e social da China, além de fortalecer os laços de amizade entre os dois países.