
A artista brasileira Viviane Diehl (ao centro) visita o Museu de Cerâmica da China em Jingdezhen, província de Jiangxi, em 28 de junho. (Foto: Xinhua)
Tendo como pano de fundo os tijolos vermelhos do distrito cultural e criativo de Taoxichuan, em Jingdezhen, província de Jiangxi, a artista brasileira Viviane Diehl chama a atenção por seus cabelos ruivos.
Para a artista visual de 62 anos, sua presença nesta antiga capital da porcelana é a realização de um sonho de longa data. "No momento em que comecei a aprender sobre porcelana, soube que precisava vir à China", diz Diehl.
Sua jornada rumo ao coração da cerâmica chinesa começou com colegas artistas que haviam trabalhado na vila de Sanbao, em Jingdezhen. Após retornarem ao Brasil, eles compartilharam histórias sobre a cidade em exposições e eventos de arte, despertando o fascínio de Diehl.
"Amo a arte desde a infância", diz ela, relembrando como começou a estudar pintura em cerâmica aos 15 anos, aprendendo todas as etapas, desde a aplicação do esmalte até a queima.
Essa paixão floresceu em criações tangíveis. Sua obra intitulada “Reflorestar”, em exibição no Museu de Arte de Taoxichuan até o final de agosto, foi criada durante uma residência artística em Jingdezhen, em 2024.
"A arte cerâmica e a natureza conduzem os seres humanos à reflexão interior, dando sentido aos ciclos e à coexistência, proporcionando uma pausa e reconectando a liberdade ao bem-estar e à unidade", escreveu Diehl na apresentação da obra.
Dominar esse meio numa terra estrangeira tem sido uma jornada intensa. Antes de chegar a Jingdezhen, Diehl completou uma residência em Longquan, onde começou a experimentar a argila local e os esmaltes celadon.
Longquan, cidade na província de Zhejiang, é conhecida por sua tradição centenária de cerâmica celadon, as técnicas de queima do celadon de Longquan foram incluídas, em 2009, na lista de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO.
"Trabalhar com a argila local da China é um desafio expressivo. A experimentação na construção, no design de superfícies com esmaltes celadon e nas técnicas de queima a gás é um processo contínuo", diz ela. "Estou aprendendo algo novo o tempo todo."
Professora de arte desde 1989, Diehl descreve a si mesma como uma "arte-educadora". Embora a tecnologia moderna tenha tornado o conhecimento sobre cerâmica mais acessível em todo o mundo, ela acredita que Jingdezhen permanece inigualável.
"Não existe outro lugar com tamanha qualidade e técnicas tão especiais para a produção de porcelana", observa Diehl. Esse apelo único tem suas raízes na geografia e no patrimônio da cidade.
"Não há outro lugar com esse nível de maestria artesanal e essas técnicas exclusivas de fabricação de porcelana", afirma ela. Essa singularidade baseia-se nos recursos naturais e numa herança centenária.
Situada entre as colinas do nordeste de Jiangxi, Jingdezhen é rica em caulim — também conhecido como argila da China — e em outros materiais essenciais para a produção de porcelana. Ao longo de gerações, os artesãos locais aperfeiçoaram cada etapa do processo, desde o preparo da argila até a queima nos fornos.
O mundo reconheceu essa importância. Os Sítios da Indústria de Porcelana Artesanal de Jingdezhen foram incluídos na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO no mês passado, preenchendo uma lacuna histórica na lista no que diz respeito ao patrimônio da porcelana. Este é o 61º sítio do Patrimônio Mundial da China.
Hoje, a completa cadeia produtiva de cerâmica de Jingdezhen continua atraindo artistas de todo o mundo. Nos períodos de maior movimento, mais de 5.000 entusiastas da cerâmica reúnem-se na cidade.
Além de sua indústria próspera, Jingdezhen implementou iniciativas para incentivar a permanência dos artistas. Em 2015, o distrito cultural e criativo de Taoxichuan lançou o "Programa Pássaro Migratório", estabelecendo parcerias com instituições de arte em mais de 50 países e regiões e atraindo cerca de 3.600 artistas do mundo inteiro.
À medida que Jingdezhen continua evoluindo, ela permanece um polo de atração para criadores de todo o mundo. "Jingdezhen está abrindo portas para o mundo", diz Diehl.