As negociações comerciais entre a China e a União Europeia (UE) não podem ser orientadas por exigências unilaterais e devem, ao contrário, abordar as preocupações de ambos os lados em pé de igualdade, disse o Ministério do Comércio da China na quinta-feira.
Huang Ling, porta-voz do ministério, fez essas declarações em uma coletiva de imprensa regular em resposta a uma pergunta sobre a advertência do comissário europeu do Comércio e da Segurança Econômica, Maros Sefcovic, de que possíveis instrumentos de defesa comercial seriam utilizados caso as negociações com a China não produzissem resultados.
A China tomou nota das recentes declarações de Sefcovic, observou Huang, enfatizando que os líderes da China e da UE chegaram a um importante consenso de que ambas as partes devem abordar adequadamente as preocupações uma da outra por meio do diálogo e da consulta.
Nos últimos anos, a China tem se mantido comprometida com a implementação desse consenso, fortalecendo o diálogo econômico e comercial com a UE e se empenhando em administrar atritos e divergências, de acordo com Huang.
Desde a primeira reunião do mecanismo de consulta sobre comércio e investimento China-UE, em 29 de junho, o Ministério do Comércio da China e o lado europeu têm mantido uma comunicação estreita em diversos níveis e explorado possíveis soluções para suas respectivas preocupações econômicas e comerciais, ressaltou Huang.
Segundo a porta-voz, de segunda a quarta-feira, o vice-ministro do Comércio da China, Ling Ji, manteve conversações com Denis Redonnet, vice-diretor-geral da Direção-Geral do Comércio e da Segurança Econômica da Comissão Europeia, que estava em visita à China.
Os dois lados realizaram discussões aprofundadas, francas e construtivas sobre questões de interesse mútuo e orientaram várias rodadas de consultas técnicas entre suas equipes, acrescentou Huang.
"A China deseja salientar que as consultas entre a China e a UE, em todos os níveis, devem manter o posicionamento da China e da UE como parceiras comerciais-chave estáveis e equilibradas uma para a outra, enquanto abordam as preocupações uma da outra em pé de igualdade", destacou a porta-voz.
Huang apontou que nenhuma das partes deve fazer exigências unilaterais nem ditar condições, muito menos recorrer prontamente a ameaças de fechar seu mercado como moeda de troca.
A China reiterou que a UE deve enfrentar de frente os problemas que a afligem, disse a porta-voz, acrescentando que a China não é a fonte desses problemas, mas pode ser uma parceira na resolução deles. "O protecionismo não oferece nenhuma saída, enquanto a cooperação ganha-ganha é o caminho certo a seguir", ressaltou Huang.
Ela sublinhou que o país está pronto para trabalhar com a UE de modo a fortalecer a comunicação regular e institucionalizada nos setores econômicos e comerciais, gerenciar divergências e promover a cooperação prática. Tais esforços levariam o comércio bilateral a um maior equilíbrio e crescimento contínuo, indicou Huang.
A porta-voz instou a UE a defender o livre comércio e a trabalhar com a China para salvaguardar o sistema comercial multilateral baseado em regras, tendo a Organização Mundial do Comércio como seu núcleo, pedindo ao bloco que evite avançar ainda mais no caminho do protecionismo.