Pessoas com diabetes que contraíram COVID-19 em algum momento apresentaram recuperação mais lenta, maior risco de complicações cardiovasculares e menor qualidade de vida até sete meses após a alta hospitalar, segundo um estudo divulgado na terça-feira pela Universidade de São Paulo.
A pesquisa, conduzida pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), acompanhou 870 pessoas hospitalizadas com COVID-19 e comparou 320 pacientes com diabetes a 550 sem a doença. Todos os participantes foram submetidos a avaliações físicas e laboratoriais até sete meses após a alta hospitalar.
O estudo, também publicado na revista Scientific Reports, constatou que 89,8% dos pacientes com diabetes relataram recuperação completa, em comparação com 94,3% daqueles sem a doença.
Pacientes com diabetes também apresentaram maior risco de complicações cardiovasculares, como infarto e angina, além de níveis mais elevados de fragilidade, maior incidência de quedas e menor qualidade de vida, com dificuldades de mobilidade ou na realização de outras atividades.
Dos pacientes com diabetes, 21,1% sofreram quedas após a alta hospitalar, quase o dobro dos 11,1% registrados entre os pacientes sem a doença.
O tempo de internação também foi maior entre os diabéticos, com média de 16 dias, em comparação a 13 dias entre os pacientes sem diabetes, diferença que contribuiu para a perda muscular e maior vulnerabilidade física.
A pesquisa integra um projeto maior da FAPESP, que recrutou mais de 3 mil pacientes internados no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo entre março e setembro de 2020, na primeira fase da pandemia no Brasil, quando vacinas ainda não estavam disponíveis.
O Brasil registrou 716.626 mortes por COVID-19 durante a pandemia e mais de 39,3 milhões de casos, com incidência cumulativa de 18.709,9 por 100 mil habitantes, segundo dados do Ministério da Saúde.