As exportações do Brasil para a União Europeia (UE) aumentaram 30% entre maio e setembro de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior, após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre os dois blocos, informou o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Mauro Vieira na terça-feira.
O chanceler destacou os primeiros resultados do tratado, que começou a ser aplicado em 1º de maio após mais de duas décadas de negociações, e ressaltou que a abertura comercial está ampliando as oportunidades para os produtos brasileiros em um dos mercados de maior poder aquisitivo do mundo.
O acordo entre o Mercado Comum do Sul (Mercosul) -- integrado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai -- e a UE estabelece uma das maiores áreas de livre-comércio do mundo, com um mercado potencial de cerca de 700 milhões de pessoas e uma importante redução progressiva das tarifas para bens de ambos os blocos.
A entrada em vigor provisória permite aplicar as preferências comerciais previstas no componente comercial do tratado, embora sua implementação definitiva ainda dependa de procedimentos institucionais pendentes na União Europeia.
Segundo dados divulgados pelo governo brasileiro, as exportações totais do país ao bloco europeu cresceram 20% entre janeiro e setembro, atingindo US$ 44,17 bilhões, sendo que as vendas registraram um avanço superior à média geral durante os primeiros meses de aplicação do acordo.
O resultado reforça as expectativas brasileiras de ampliar sua presença na Europa com produtos agropecuários, alimentos, matérias-primas e bens industriais, ao mesmo tempo que as empresas buscam aproveitar a redução dos custos de acesso ao mercado europeu.
O anúncio ocorreu durante um evento do governo brasileiro dedicado ao desenvolvimento do agronegócio e às oportunidades de expansão internacional dos produtos nacionais. As autoridades destacaram que o setor agropecuário constitui um dos pilares das exportações brasileiras e que o acesso preferencial ao mercado europeu pode favorecer a diversificação dos destinos comerciais e aumentar a competitividade dos produtores.
Desde 2023, o Brasil abriu 700 novos mercados para seus produtos em 99 destinos internacionais, segundo dados da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). As vendas associadas a essas aberturas alcançaram US$ 5,8 bilhões, enquanto o órgão projeta exportações adicionais de US$ 80 bilhões nos próximos quatro anos.
O acordo também oferece oportunidades para a indústria brasileira, uma vez que a redução de tarifas abrange numerosos bens manufaturados, máquinas, equipamentos e produtos químicos, entre outros setores.
De acordo com estimativas divulgadas pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), mais de 80% das exportações brasileiras destinadas à Europa passaram a se beneficiar de tarifas de importação zero desde a fase inicial de aplicação do tratado, embora as condições variem conforme o produto e as regras específicas do acordo.
A União Europeia é um dos principais parceiros comerciais do Brasil. Em 2025, o intercâmbio bilateral de bens alcançou aproximadamente US$ 100 bilhões, com exportações brasileiras de US$ 49,8 bilhões e importações de US$ 50,3 bilhões, segundo dados oficiais do governo brasileiro.
O tratado busca aprofundar essa relação por meio da redução de barreiras comerciais, da ampliação das oportunidades de investimento e do estabelecimento de regras comuns para facilitar os negócios entre ambos os mercados.
No entanto, o aumento das exportações durante os primeiros meses de aplicação não pode ser atribuído exclusivamente ao acordo, já que os fluxos comerciais também dependem da demanda internacional, dos preços das matérias-primas, das taxas de câmbio e das condições econômicas dos países importadores.
Para o Brasil, o desafio será transformar o acesso preferencial ao mercado europeu em um crescimento sustentado das vendas externas, com uma maior participação de produtos industriais e de maior valor agregado, além de manter a competitividade de suas exportações agropecuárias.