
Nuuk, capital da Groenlândia, um território autônomo da Dinamarca. (Zhao Dingzhe/Xinhua)
Andrius Kubilius disse compartilhar da opinião da primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, de que uma ocupação forçada seria um golpe fatal para a OTAN e prejudicaria gravemente as relações transatlânticas.
A União Europeia (UE) poderia ajudar a garantir a segurança da Groenlândia se a Dinamarca o solicitasse, disse o Comissário Europeu para a Defesa e o Espaço, Andrius Kubilius, nesta segunda-feira, alertando que qualquer ocupação militar dos EUA do território ártico causaria o fim da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).
Em declarações à imprensa, à margem de uma conferência de segurança em Salén, na Suécia, Kubilius afirmou partilhar da opinião da primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, de que uma tomada de poder forçada representaria um golpe fatal para a NATO e prejudicaria gravemente as relações transatlânticas. O comissário acrescentou que tal medida também desencadearia uma forte reação negativa entre os europeus.

O presidente dos EUA, Donald Trump, participa numa conferência de imprensa após a cimeira da NATO em Haia, nos Países Baixos, a 25 de junho de 2025. (Zhao Dingzhe/Xinhua)
Kubilius afirmou não acreditar que uma invasão dos EUA esteja iminente, mas observou que o artigo 42.7 do Tratado da UE obriga os Estados-membros a prestar assistência mútua, caso um país-membro seja alvo de agressão armada. Ele acrescentou que o bloco poderia reforçar o apoio à Gronelândia a pedido da Dinamarca, inclusive através do destacamento de tropas e da expansão da infraestrutura militar, como a presença naval e as capacidades de combate a drones.
A Dinamarca e os Estados Unidos, ambos membros da OTAN, têm um encontro marcado para esta semana para discutir a questão da Groenlândia. A Groenlândia e a Dinamarca têm afirmado repetidamente que o território não está à venda, enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, insiste que Washington deve "se apropriar" da Groenlândia, sem descartar o uso da força.
A primeira-ministra sueca, Ulf Kristersson, disse que os europeus dentro da OTAN estão discutindo maneiras de fortalecer a aliança, mas ressaltou que esse trabalho não deve se basear em qualquer presunção de que a OTAN deixaria de funcionar.

O primeiro-ministro da Suécia, Ulf Kristersson, chega ao local de uma cúpula especial da União Europeia (UE) em Bruxelas, Bélgica, em 1º de fevereiro de 2024. (Zhao Dingzhe/Xinhua)
Também na conferência de política de segurança na cidade turística de Salen, no oeste do país, Kristersson criticou no domingo as recentes ações dos EUA na Venezuela e a "retórica ameaçadora" de Trump em relação à Dinamarca e à Groenlândia, alertando que tais ações minam o direito internacional e aumentam os riscos para os países menores.
Kristersson afirmou que Washington deveria, ao invés disso, demonstrar gratidão à Dinamarca, por ser uma aliada de longa data. Ele prometeu também o apoio sueco à Dinamarca.
Desde que assumiu o cargo em janeiro de 2025, o presidente dos EUA, Donald Trump, expressou repetidamente interesse em obter o controle da Groenlândia, afirmando que não descartaria o uso de "coerção militar ou econômica" para atingir esse objetivo. No mês passado, Trump nomeou o governador da Louisiana, Jeff Landry, como enviado especial dos EUA para a Groenlândia, reacendendo as tensões diplomáticas entre Washington e o Reino da Dinamarca. Trump disse em uma entrevista recente que os Estados Unidos precisam "absolutamente" da Groenlândia.

Manifestantes marcham em protesto em frente à Embaixada dos EUA em Copenhague, capital da Dinamarca, em 29 de março de 2025. (Foto de Liu Zhichao/Xinhua)
A conferência de segurança em Salèn, com início em 1946, é organizada pela organização sueca de defesa civil Folk och Forsvár. Salèn é uma cidade montanhosa a cerca de 400 km a noroeste da capital, Estocolmo.