O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, defendeu na quinta-feira o sistema de pagamentos instantâneos Pix, após críticas em um relatório comercial do governo dos EUA, e afirmou que a ferramenta continuará sendo aprimorada para atender às necessidades da população brasileira.
Durante um evento na cidade de Salvador (capital da Bahia, Nordeste), o presidente enfatizou a soberania do sistema, desenvolvido e operado pelo Banco Central do Brasil.
O Pix pertence ao Brasil e ninguém vai nos obrigar a mudá-lo por causa do serviço que presta à sociedade brasileira, disse Lula, referindo-se à plataforma que se tornou um dos principais métodos de pagamento do país.
As declarações surgem após o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos ter incluído o Pix em seu relatório anual sobre barreiras comerciais, divulgado em 31 de março. No documento, empresas americanas expressaram preocupação com o suposto tratamento preferencial concedido pelo Banco Central do Brasil ao sistema, o qual, segundo elas, poderia prejudicar provedores internacionais de serviços de pagamento eletrônico.
O relatório observa que o Banco Central não apenas criou e opera o Pix, como também regula sua operação e exige sua adoção por instituições financeiras com mais de 500 mil contas, o que, de acordo com o texto, poderia gerar desvantagens competitivas.
Nesse contexto, o governo dos EUA, liderado pelo presidente Donald Trump, iniciou no ano passado uma investigação sobre práticas comerciais brasileiras consideradas potencialmente "desleais", incluindo o sistema de pagamento instantâneo.
Analistas sugerem que uma das motivações para a medida pode estar relacionada a decisões tomadas em 2020, quando o Brasil bloqueou o lançamento do WhatsApp Pay, da Meta, fundada por Mark Zuckerberg, aliado político de Trump.
Em resposta às críticas, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil reiterou que o Pix foi concebido para aumentar a segurança e a eficiência do sistema financeiro, sem discriminar empresas estrangeiras. Defendeu também a gestão do Banco Central, argumentando que esta garante a neutralidade da plataforma e observando que outras autoridades monetárias, como o Federal Reserve dos EUA, também estão desenvolvendo iniciativas semelhantes.
O Pix foi lançado oficialmente em 16 de novembro de 2020, após estudos iniciados pelo menos em 2018, e desde então tem experimentado rápida adoção, transformando os hábitos de pagamento no Brasil.