A China está considerando aumentar o número de voos diretos de e para a América Latina e o Caribe, e suas relações não são dirigidas contra terceiros nem devem estar sujeitas à interferência de terceiros, disse recentemente um funcionário do Ministério das Relações Exteriores.
As relações são "baseadas exclusivamente no benefício mútuo e em resultados ganha-ganha, sem quaisquer cálculos geopolíticos", observou Zhang Run, diretor-geral do Departamento de América Latina e Caribe do Ministério das Relações Exteriores da China, no "Salão Linjia 7" em Beijing.
"Cabe ao próprio povo da América Latina escolher o caminho que seus países seguirão, e cabe aos países latino-americanos decidir quem será seu amigo", indicou Zhang.
Há um ano, as duas partes testemunharam conjuntamente o lançamento de cinco programas - solidariedade, desenvolvimento, civilização, paz e conectividade entre os povos - para construir uma comunidade China-América Latina e Caribe (ALC) com um futuro compartilhado.
No evento, Zhang afirmou que a China está disposta a melhorar continuamente a facilidade dos intercâmbios interpessoais bilaterais e iniciar mais voos diretos.
Durante a quarta reunião ministerial do Fórum China-CELAC (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos) realizada em maio de 2025 em Beijing, a China decidiu isentar o visto dos visitantes para o primeiro lote de cinco países da ALC, incluindo Brasil, Argentina, Chile, Peru e Uruguai.
Este ano, o Brasil e o Uruguai anunciaram, respectivamente, a isenção de visto para cidadãos chineses.
O compromisso da China em avançar nas relações China-América Latina, alcançar o desenvolvimento comum e promover a cooperação Sul-Sul não vacilará, de acordo com Zhang.
Song Junying, chefe do Departamento de Estudos Latino-Americanos e Caribenhos do Instituto de Estudos Internacionais da China, disse que os países latino-americanos estão passando atualmente por um ressurgimento da autoconsciência na busca pela autonomia e estão buscando uma modernização que melhor se adapte às suas condições nacionais.
Como parte do Sul Global, Song enfatizou que ambos os lados devem priorizar o intercâmbio e o aprendizado mútuo em áreas como industrialização, inovação científica e tecnológica, transição verde, transformação digital e governança estatal.
Shi Yi, vice-presidente da Universidade de Relações Exteriores da China e pesquisadora do Centro de Pesquisa sobre a Construção de uma Comunidade com um Futuro Compartilhado para a Humanidade, compartilhou sua experiência de pesquisa de campo no México, demonstrando que a vitalidade da civilização reside precisamente na transformação criativa por meio do aprendizado mútuo e do intercâmbio.
"Tanto a China quanto os países da América Latina respeitam a diversidade das civilizações e apoiam o aprendizado mútuo e o intercâmbio. São pioneiros e parceiros no avanço conjunto da Iniciativa de Civilização Global", afirmou Shi.