Este ano marca o Ano Cultural Brasil-China 2026, período oficial dedicado à ampliação do intercâmbio cultural entre os dois países, e durante o qual diversas atividades culturais têm sido realizadas ao público sino-brasileiro. Neste contexto, o cineasta, animador e produtor brasileiro João Amorim, fundador da Amorim Filmes, realiza em junho uma agenda cultural na China com atividades em Chongqing, Beijing e Shanghai, voltadas ao fortalecimento da cooperação audiovisual entre China e Brasil.
Um dos principais destaques da missão é a apresentação de pré-lançamento da série de animação "Ho-Ho e o Som do Brasil". Com protagonistas como o panda gigante chinês "Ho-Ho" e figuras brasileiras como a capivara "Capy" e o mico-leão-dourado "Kiko", a produção acompanha as aventuras de um panda chinês e seus amigos brasileiros, utilizando a música como linguagem universal para promover amizade, criatividade, diálogo intercultural e cooperação entre diferentes tradições, apresentando às crianças elementos da cultura, da fauna, da biodiversidade e dos ritmos brasileiros.
O projeto é uma coprodução internacional entre a CCTV Animation/China Media Group, a Amorim Filmes e a LC Barreto, e busca aproximar crianças chinesas e brasileiras por meio da animação, da música, da natureza, da amizade e do intercâmbio cultural. A série é codirigida pelo brasileiro João Amorim e pela diretora chinesa Zhang Fan, reunindo equipes criativas dos dois países em torno de uma obra voltada ao público infantil.
A série integra oficialmente a programação do Ano Cultural China-Brasil, com lançamento previsto para o segundo semestre deste ano na China e no final de outubro ou novembro de 2026 no Brasil, inicialmente pela TV Cultura e possivelmente em demais canais. Trata-se de uma série animada em 3D voltada ao público infantil, com exibição garantida na televisão chinesa e estratégia de circulação no Brasil.
Segundo Amorim, a série realizou seus primeiros pré-lançamentos internacionais por meio da apresentação oficial do teaser-trailer da primeira temporada no início de junho durante a Semana de Animação de Chongqing. A apresentação destacou o potencial da animação como instrumento de diálogo cultural entre China e Brasil e como caminho para novas formas de cooperação audiovisual entre os dois países.
O segundo pré-lançamento de "Ho-Ho e o Som do Brasil" aconteceu no ambiente do Festival Internacional de Cinema de Shanghai (SIFF, na sigla em inglês), realizado em 11 a 22 de junho, um dos principais eventos audiovisuais da Ásia e o primeiro e único festival internacional da lista "A" da China. A participação busca ampliar a visibilidade internacional da coprodução e abrir novas oportunidades de diálogo entre produtoras, instituições culturais, plataformas e canais de televisão dos dois países.
Segundo Amorim, a série nasce do desejo de criar uma ponte afetiva e criativa entre as novas gerações brasileiras e chinesas.
"Este projeto nasce do desejo de aproximar crianças brasileiras e chinesas por meio da animação, da música e da natureza. Queremos mostrar que culturas diferentes podem se encontrar de forma criativa, respeitosa e alegre," afirmou.
Em Beijing, João Amorim também participou da exibição do longa infantil "Thiago & Ísis e os Biomas do Brasil", apresentado no Festival de Cinema Brasileiro em Beijing. O filme, que estreou recentemente na Netflix, conduz o público infantil por uma viagem pelos biomas brasileiros, abordando biodiversidade, educação ambiental, cultura e a relação das crianças com a natureza.
Para o diretor, a apresentação do filme na China tem significado especial.
"É uma alegria apresentar ao público chinês um filme sobre os biomas do Brasil, nossa diversidade cultural e nossa biodiversidade. O cinema infantil pode ser uma ferramenta poderosa de aproximação entre países, porque fala diretamente com as novas gerações," disse ele.
A agenda do cineasta incluiu palestras em instituições acadêmicas chinesas, incluindo a Universidade de Comunicação da China e a Universidade de Shanghai, nas quais Amorim abordou sua trajetória internacional no cinema, na animação, no documentário e no conteúdo educativo para crianças, e discutiu novas possibilidades de criação audiovisual com ferramentas digitais e inteligência artificial.