O Brasil deu início formalmente, na quinta-feira, aos planos para emitir seus primeiros panda bonds soberanos - uma medida histórica que, segundo autoridades, criará novas oportunidades para a cooperação bilateral nos mercados financeiros.
A iniciativa, que torna o Brasil o primeiro país latino-americano a emitir panda bonds soberanos, demonstra o crescente interesse de emissores internacionais nesse tipo de título como uma forma de financiamento diversificado e de menor custo. Os analistas afirmam que isso pode abrir caminho para uma participação mais ampla de emissores internacionais no mercado de títulos da China.
Um panda bond é um instrumento de dívida denominado em renminbi, emitido por governos ou instituições estrangeiras no mercado de capitais onshore da China.
Na quinta-feira, o Ministério da Fazenda do Brasil entregou sua carta de intenções para a emissão de panda bonds à Associação Nacional de Investidores Institucionais do Mercado Financeiro (NAFMI), com a presença de autoridades da China e do Brasil em uma cerimônia em Beijing para marcar a ocasião.
O Brasil planeja captar até 5 bilhões de yuans (US$ 735 milhões) com sua emissão inaugural de títulos panda.
Pan Gongsheng, governador do Banco Popular da China, afirmou na cerimônia que o banco central chinês tem trabalhado em estreita colaboração com o Ministério da Fazenda e o Banco Central do Brasil, obtendo resultados tangíveis em áreas como cooperação em moeda local, conectividade da infraestrutura financeira e colaboração no mercado financeiro.
"Estamos prontos para facilitar a emissão de títulos pelo Ministério da Fazenda do Brasil na China", disse Pan, observando que acredita que o sucesso da emissão dos títulos criará mais oportunidades para a cooperação financeira bilateral.
Ele acrescentou que tem havido um crescente interesse em panda bonds por parte do setor privado e de emissores soberanos em todo o mundo, e que o Banco Popular da China incentiva a participação de mais instituições brasileiras qualificadas nos mercados financeiros chineses.
Em declarações ao China Daily à margem do evento, o Ministro da Fazenda do Brasil, Dario Durigan, confirmou que a entrega da carta de intenções na quinta-feira tornou o Brasil o primeiro emissor soberano latino-americano a buscar formalmente a emissão de panda bonds.
"Estamos prontos para ir à China e oferecer nossos títulos soberanos brasileiros no mercado chinês como um sinal de confiança e de que devemos trabalhar juntos se quisermos melhorar a vida de nossos cidadãos", disse Durigan.
Com o objetivo de emitir os panda bonds nos próximos meses, o Ministério da Fazenda do Brasil também está avançando na ampliação da cooperação no mercado de capitais com a China, incluindo um programa bilateral de conectividade de ETFs (fundos negociados em bolsa) e serviços de informação para investidores chineses no mercado de capitais brasileiro, acrescentou.
A oferta planejada pelo Brasil seguiria as emissões inaugurais de panda bonds soberanos pelo Cazaquistão e Paquistão no início deste ano, impulsionando ainda mais a internacionalização do mercado de títulos em RMB.
Segundo dados do Banco Central da China, as emissões de títulos panda atingiram 132,98 bilhões de yuans nos primeiros cinco meses de 2026.
Liu Chunsheng, professor associado de economia internacional da Universidade Central de Finanças e Economia, afirmou que a emissão de títulos panda ajudaria o Brasil a diversificar seu financiamento externo, reduzir custos de captação e diminuir os riscos cambiais, adequando melhor o financiamento em RMB às suas crescentes relações comerciais e de investimento com a China.