As exportações do agronegócio brasileiro atingiram o recorde de US$ 86,5 bilhões no primeiro semestre de 2026, um aumento de 6% em comparação com o mesmo período do ano passado, impulsionadas pelo forte desempenho da soja, carne e milho, segundo dados divulgados nesta segunda-feira pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
As importações relacionadas ao setor também cresceram, totalizando US$ 17,2 bilhões, um aumento de 3% em relação ao ano anterior, principalmente devido à alta dos preços dos fertilizantes, embora o volume de insumos importados tenha diminuído.
A soja continuou sendo o principal produto de exportação do agronegócio brasileiro. Entre janeiro e junho, o Brasil exportou 69,6 milhões de toneladas de soja, gerando receita de US$ 29,1 bilhões, impulsionada por uma safra recorde e forte demanda internacional, especialmente da China, principal compradora do produto.
Além da soja, as exportações de farelo e óleo de soja também cresceram graças ao aumento do processamento doméstico, impulsionado pela expansão da produção de biodiesel. No geral, o complexo da soja (soja em grãos, farelo e óleo) gerou US$ 34,9 bilhões, equivalente a cerca de 40% de todas as exportações do agronegócio brasileiro no primeiro semestre do ano.
A carne foi o segmento de crescimento mais rápido. As exportações de carne bovina, suína e de frango atingiram US$ 17,4 bilhões, um aumento de 26% em comparação com o primeiro semestre de 2015. O volume exportado chegou a 5,43 milhões de toneladas, o maior registrado para o período.
As exportações de carne bovina se destacaram devido à recuperação das vendas tanto para a China quanto para os Estados Unidos. Os embarques para o mercado chinês continuaram a liderar o setor, gerando US$ 9,9 bilhões durante os primeiros seis meses do ano, enquanto as exportações para os Estados Unidos se recuperaram após as restrições comerciais impostas no ano passado.
No entanto, o setor enfrenta desafios no segundo semestre do ano. A China esgotou sua cota anual de 1,1 milhão de toneladas de carne bovina importada com tarifas preferenciais -- portanto, quaisquer compras adicionais estarão sujeitas a uma tarifa total de 67%, resultante da adição de uma tarifa de 55% à tarifa existente de 12%.
No caso do milho, as exportações aumentaram 21% entre janeiro e junho, atingindo 1,79 milhão de toneladas, embora especialistas prevejam uma concorrência mais acirrada no segundo semestre do ano devido às safras abundantes nos Estados Unidos e na Argentina.
Em contrapartida, as exportações de café e açúcar registraram queda em valor devido à redução dos preços internacionais, impulsionada pelo aumento da oferta global após os altos preços observados nos últimos anos.
No lado das importações, o Brasil adquiriu 18,3 milhões de toneladas de fertilizantes no primeiro semestre do ano, um volume 6% menor do que o projetado para 2025. Contudo, os gastos aumentaram 9%, para US$ 7 bilhões, devido à alta dos preços internacionais. As importações de agroquímicos também diminuíram, caindo 7,5% em volume, para 333 mil toneladas, e 14% em valor.
O agronegócio continua sendo um dos principais pilares da economia brasileira e de sua balança comercial. O setor responde por quase metade das exportações totais do país e mantém o Brasil entre os maiores fornecedores mundiais de alimentos, matérias-primas agrícolas e proteína animal.