
No estande de uma empresa chinesa, uma funcionário (segunda à direita) apresenta produtos aos visitantes do Salão Intercional de Proteína Animal do Brasil de 2026. (Foto: Shi Yuanhao/Diário do Povo)
O Salão Internacional de Proteína Animal (SIAVS) do Brasil de 2026, organizada pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), foi realizada de 4 a 6 de agosto em São Paulo. O evento atraiu mais de 400 expositores, incluindo dezenas de empresas chinesas, abrangendo setores como pecuária e avicultura, biotecnologia e processamento de carnes. A exposição contou com debates e palestras de especialistas sobre temas relevantes para o setor de proteína animal, incluindo sustentabilidade na indústria de alimentos, biossegurança e a aplicação de inteligência artificial.
Dezenas de empresas chinesas apresentaram produtos, tecnologias e soluções relacionados à indústria de proteína animal. A Qingdao Kechuang Xinda Technology Co., Ltd. apresentou soluções de fazendas inteligentes baseadas em tecnologias como a Internet das Coisas (IoT). "O setor manufatureiro da China possui uma força geral robusta e um ecossistema de suporte abrangente, enquanto o Brasil ostenta recursos naturais excepcionais e uma base sólida na agricultura e na pecuária; as duas nações são naturalmente complementares em termos industriais", disse Wang Fubao, presidente da empresa. Ele observou que muitas fazendas brasileiras ainda não implementaram sistemas de IoT e necessitam urgentemente de modernização. A empresa visa prestar serviços ao mercado brasileiro em áreas como integração de dados, colaboração remota e tomada de decisão inteligente.
A Shandong Ruihong Biotechnology Co., Ltd., empresa especializada na produção de aditivos para ração animal, participa da feira pela primeira vez. Qiu Yujun, vice-gerente geral do centro de marketing da empresa, disse que as empresas chinesas se beneficiam de uma cadeia industrial completa, abrangendo desde a produção de insumos até a distribuição final, e de políticas de apoio relevantes, o que facilita sua expansão para mercados internacionais. "Com a implementação da política de isenção mútua de vistos entre a China e o Brasil, mais empresas chinesas estão dispostas a explorar o mercado brasileiro, e há um vasto espaço para cooperação entre os dois países em setores relacionados", afirmou.
Dados recentes mostram que, no primeiro semestre deste ano, a China foi o principal destino das exportações brasileiras de carne bovina e de frango, e o terceiro maior para a carne suína. O Brasil está bem posicionado para consolidar ainda mais sua liderança global na produção de proteína animal e o setor criará mais oportunidades de cooperação entre o Brasil e a China, afirmou André de Paula, Ministro da Agricultura e Pecuária do Brasil.
"A China é um mercado-chave com imenso potencial de crescimento. Mudanças na demanda do mercado chinês são consideradas um fator importante que influencia as exportações brasileiras de carne bovina. A associação colabora há muito tempo com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) para promover a carne bovina brasileira em mercados estratégicos como a China", disse Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC). Ressaltando as conquistas significativas da cooperação no âmbito do BRICS, ele expressou a expectativa de maior colaboração nas áreas sanitária e fitossanitária para impulsionar o crescimento do comércio.
O Brasil tem se mantido consistentemente como a principal origem das importações agrícolas da China nos últimos anos, com uma cesta de produtos cada vez mais diversificada, afirmou Yu Lu, vice-presidente da Câmara de Comércio da China para Importação e Exportação de Produtos Alimentícios, Produtos Nativos e Subprodutos Animais (CFNA).
As diferenças nos hábitos de consumo entre os dois países têm fomentado a complementaridade e a substituição estrutural em produtos agrícolas; à medida que ambos os governos continuam a fortalecer a regulamentação da segurança alimentar, espera-se que mais produtos brasileiros entrem no mercado chinês de forma constante e ordenada.
"O Brasil e a China estabeleceram uma parceria muito sólida, e o volume de exportações brasileiras para a China tem permanecido, de modo geral, estável", afirmou Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Ele destacou o enorme potencial de importação de produtos de proteína animal brasileira pela China e manifestou interesse em exportar uma variedade maior de carnes e subprodutos, acrescentando que "aprofundar a cooperação nas cadeias de suprimentos agropecuários representa uma oportunidade compartilhada para ambos os lados". Santin convidou empresas chinesas a investir e realizar negócios no Brasil. Ele destacou a vasta experiência da China no desenvolvimento de infraestrutura, observando que os setores agropecuários brasileiros, assim como outras indústrias, necessitam urgentemente de mais infraestrutura, como portos e ferrovias. O aprofundamento da cooperação nessas áreas facilitaria ainda mais o comércio bilateral.