
O ex-primeiro-ministro chinês Zhu Rongji morreu de doença aos 98 anos em Beijing, às 11h06 de quarta-feira.
Zhu atuou como membro do Comitê Permanente do Birô Político dos 14º e 15º Comitês Centrais do Partido Comunista da China (PCCh).
Um obituário, emitido conjuntamente pelo Comitê Central do PCCh, pelo Comitê Permanente da Assembleia Popular Nacional, pelo Conselho de Estado e pelo Comitê Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, exaltou Zhu como um excelente membro do Partido, um combatente comunista testado pelo tempo e leal, além de um destacado revolucionário proletário, estadista e líder do Partido e do Estado.
Zhu nasceu em outubro de 1928 em Changsha, na Província de Hunan, no centro da China. Ele estudou no Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Tsinghua de 1947 a 1951. Ele ingressou no PCCh em outubro de 1949.
De 1951 a 1983, Zhu trabalhou em diversos locais e assumiu uma série de cargos relacionados a assuntos econômicos em departamentos e instituições governamentais regionais e centrais. Ele serviu como vice-diretor da Comissão Econômica Estatal, entidade agora extinta, de 1983 a 1987.
Entre 1987 e 1991, ele atuou sucessivamente como subsecretário do Comitê Municipal do PCCh em Shanghai, prefeito de Shanghai e secretário do Comitê Municipal do PCCh em Shanghai.
Em Shanghai, ele pediu que o município reajustasse sua estrutura industrial, cultivasse novos pontos fortes de desenvolvimento, aumentasse sua competitividade internacional e seguisse um caminho de desenvolvimento orientado para as exportações.
Em 1991, Zhu foi nomeado vice-primeiro-ministro do Conselho de Estado.
Em outubro de 1992, Zhu foi eleito membro do Birô Político do Comitê Central do PCCh e do seu Comitê Permanente, assumindo a responsabilidade pelo trabalho cotidiano do Conselho de Estado.
Em junho de 1993, ele atuou simultaneamente como presidente do Banco Popular da China.
Ele defendeu ativamente a implementação dos princípios delineados nas observações de Deng Xiaoping durante a viagem de Deng pelo sul do país em 1992 e trabalhou arduamente para promover a reforma e abertura, bem como a causa de modernização da China.
Ele organizou campanhas para resolver o problema das cadeias de dívidas conhecidas como "dívidas triangulares".
Além disso, ele estudou e desenvolveu abordagens e medidas para fortalecer e aprimorar a regulação macroeconômica, dando contribuições significativas e eficazes para conter o superaquecimento da economia, controlar a inflação e alcançar uma "aterrissagem suave" da economia.
Ele impulsionou esforços para corrigir e restaurar a ordem nos setores fiscal e tributário, acelerou as reformas fiscais e tributárias e ajudou a melhorar o sistema de regulação financeira da China.
Em setembro de 1997, Zhu foi reeleito membro do Birô Político do Comitê Central do PCCh e do seu Comitê Permanente.
Em março de 1998, Zhu foi nomeado primeiro-ministro do Conselho de Estado. Diante do impacto da crise financeira asiática e das inundações catastróficas na China, ele implementou os planos do Comitê Central do Partido para mudar de uma política fiscal e monetária moderadamente restritiva para uma política fiscal proativa e uma política monetária prudente, expandir a demanda interna e aprofundar as reformas em áreas-chave, sustentando assim um crescimento econômico estável e rápido.
Ele introduziu uma série de políticas e medidas para ampliar a abertura e incentivar as exportações, ao mesmo tempo que impediu firmemente a desvalorização do renminbi. Ele também adotou medidas para atrair ativamente investimentos estrangeiros e aproveitar melhor os mercados e recursos nacionais e internacionais, além de salvaguardar firmemente a prosperidade e a estabilidade de Hong Kong como centro financeiro internacional.
Zhu trabalhou para estabelecer o sistema de garantia de subsistência básica para trabalhadores demitidos de empresas estatais, o sistema de seguro-desemprego e o sistema de garantia do nível mínimo de subsistência para os residentes urbanos. Ele também envidou grandes esforços para resolver questões como o pagamento de salários em atraso e a reinserção profissional dos trabalhadores demitidos.
Durante o mandato de Zhu como vice-primeiro-ministro e primeiro-ministro do Conselho de Estado, a China passava por um período crítico de transição de uma economia planejada para uma economia de mercado socialista.
Sob a firme liderança do Comitê Central do PCCh, tendo Jiang Zemin no seu núcleo, Zhu liderou a reforma dos sistemas fiscal e tributário, promovendo uma ampla reforma do regime tributário, centrada na distribuição mais equitativa da carga tributária e na simplificação do sistema fiscal. Ele introduziu um sistema de repartição de receitas fiscais baseado em uma divisão racional das responsabilidades fiscais entre o governo central e os governos locais e lançou reformas-piloto dos impostos e tarifas nas áreas rurais. Promoveu ativamente a reforma do sistema financeiro, regulamentou ainda mais as funções do banco central, aprofundou as reformas dos bancos comerciais, do sistema cambial e dos mercados de valores mobiliários e futuros, e impulsionou o estabelecimento de um sistema nacionalmente unificado e aberto de mercados financeiros, caracterizado por concorrência ordenada e regulação rigorosa.
Zhu tomou a reforma das empresas estatais como elo central da reforma da estrutura econômica. Ele sublinhou que todos os esforços deveriam ser feitos para promover a reinserção profissional dos trabalhadores demitidos e fortalecer o sistema de seguridade social.
Ele promoveu a reforma do sistema habitacional, substituindo gradualmente a distribuição de moradias aos empregados por benefícios habitacionais monetários. Ele contribuiu para estabelecer e aperfeiçoar um sistema multinível de oferta de habitação urbana, tendo a habitação economicamente acessível como principal componente.
Ele também promoveu o estabelecimento da estrutura básica para uma economia de mercado socialista, supervisionou a conclusão das árduas negociações para a adesão da China à Organização Mundial do Comércio e impulsionou a abertura do país, tanto em escopo quanto em profundidade.
Zhu nutriu um profundo afeto pelo povo. Ele enfatizou que os funcionários do governo devem sempre ter em mente que são servidores públicos e devem ter a coragem de dizer a verdade, sem temer ofender, e abster-se de buscar privilégios especiais, segundo o obituário.
Ele ressaltou a necessidade de tomar a iniciativa, com forte senso de responsabilidade, para arcar com fardos pesados, enfrentar problemas difíceis e se empenhar ao máximo para entregar resultados reais ao povo, acrescentou o obituário.
Em março de 2003, Zhu deixou de exercer o cargo de primeiro-ministro do Conselho de Estado.
Após se aposentar dos cargos de liderança, ele defendeu e apoiou firmemente o Comitê Central do PCCh, tendo Hu Jintao como secretário-geral, e depois o Comitê Central do PCCh, tendo Xi Jinping no seu núcleo. Ele continuou a se empenhar pela grande causa do socialismo com características chinesas e apoiou firmemente os esforços para melhorar a conduta, promover a integridade e combater a corrupção.
A vida de Zhu foi revolucionária, lutadora e gloriosa. Seu falecimento é uma grande perda para o Partido e para o Estado, afirmou o obituário.
Glória eterna a Zhu, acrescentou.