Com a China avançando na modernização industrial e na abertura de alto padrão, espera-se que a maior feira comercial do país ajude empresas globais a se beneficiarem do crescimento impulsionado pela inovação e a acessarem o vasto mercado chinês, dando um impulso extremamente necessário a uma economia mundial em ritmo lento, afirmaram autoridades e especialistas.
A 140ª Feira de Importação e Exportação da China, também conhecida como Feira de Cantão, será inaugurada em 15 de outubro em Guangzhou, capital da província de Guangdong, no sul da China, e prosseguirá até 4 de novembro.
A feira tem refletido a ascensão da China como uma potência comercial global e a crescente sofisticação de suas exportações. Sua edição mais recente reafirmará o compromisso do país em abrir ainda mais seu mercado para o mundo, acrescentaram.
O evento ocorre num momento em que o comércio exterior da China mantém um ritmo sólido, com o comércio total de mercadorias registrando um aumento anual de 17,6% em relação ao ano anterior, atingindo 34,8 trilhões de yuans (US$ 5,19 trilhões) nos primeiros oito meses, segundo o Ministério do Comércio. As importações cresceram 22%, superando o aumento de 14,6% nas exportações.
"As importações e exportações da China migraram para produtos tecnologicamente mais avançados nos últimos anos, à medida que os fabricantes do país continuaram a subir na cadeia de valor", disse Zhang Li, ministro-assistente do Comércio, numa coletiva de imprensa na sexta-feira (18).
Essa mudança está transformando produtos de alta tecnologia e alto valor agregado nos "principais motores do crescimento do comércio exterior", afirmou Yang Tao, diretor-geral do departamento de comércio exterior do ministério.
As importações e exportações de produtos mecânicos e elétricos cresceram anualmente 24,9%, chegando a 19,1 trilhões de yuans nos primeiros oito meses, disse Yang. O comércio de circuitos integrados disparou 68,1%, enquanto o comércio de computadores e peças cresceu 60,5%.
A feira deste ano reunirá 32.000 expositores, incluindo mais de 11.000 empresas líderes, como firmas inovadoras especializadas e campeãs de manufatura em nichos de mercado, segundo Zhang.
A inteligência artificial também desempenha um papel crescente em todo o processo comercial, afirmou Zhang, com a feira deste ano integrando IA e big data em suas operações para aprimorar a experiência dos participantes.
Enquanto isso, o alcance internacional da feira continua se expandindo à medida que a China promove maior abertura de sua economia.
"Mais de 210 mil compradores de 196 países e regiões já fizeram o pré-registro, sendo que os compradores profissionais representam quase 80% do total", disse Zhu Yong, chefe do Centro de Comércio Exterior da China.
A China, maior nação do mundo em comércio de mercadorias, permanece como um importante motor do crescimento do comércio global, num cenário de aumento das barreiras comerciais e persistência de pressões inflacionárias.
A China contribuiu com 2,1% para o crescimento do comércio global no primeiro trimestre, respondendo por 20,3% do aumento, disse Zhang, ministro-assistente, citando cálculos baseados em dados da Organização Mundial do Comércio divulgados em julho.
"O comércio exterior é vital para o próprio desenvolvimento econômico da China e tornou-se um poderoso motor do comércio global e do crescimento econômico", acrescentou ele.
Wang Xuekun, chefe da Academia Chinesa de Comércio Internacional e Cooperação Econômica, defendeu maiores esforços para explorar novas fontes de crescimento comercial, apontando para oportunidades decorrentes do desenvolvimento e da adoção da IA.