
O comércio entre Brasil e China atingiu um recorde de US$ 143 bilhões entre janeiro e setembro de 2026, um aumento anual de 11,1%, impulsionado pelas exportações brasileiras de petróleo e soja e pelas importações de veículos eletrificados e produtos industriais chineses, segundo um relatório divulgado recentemente pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC).
As exportações brasileiras para o mercado chinês somaram US$ 84,7 bilhões, um aumento de 12% em relação ao mesmo período de 2025, enquanto as importações cresceram 9,9%, atingindo US$ 58,6 bilhões, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior do Brasil.
A China concentrou 28,3% do comércio exterior brasileiro e manteve-se como o principal parceiro comercial do país, recebendo 29,7% de suas exportações e respondendo por 26,4% de suas importações. O superávit brasileiro com o país asiático alcançou US$ 26,1 bilhões, equivalente a 42% do saldo positivo total do Brasil.
As exportações de petróleo brasileiro para a China somaram US$ 21,8 bilhões, um crescimento de 49% em relação ao ano anterior. O país asiático absorveu metade das vendas externas brasileiras de petróleo bruto, consolidando-se como um mercado estratégico para o setor energético.
A soja continuou sendo o principal produto exportado para a China, com vendas de US$ 30 bilhões, um aumento de 3,6%. O grão representou 35,4% das exportações brasileiras para o mercado chinês, que recebeu 70% dos embarques do produto. O minério de ferro ocupou o terceiro lugar, com US$ 13,8 bilhões, uma queda de 0,6%.
Por sua vez, as importações brasileiras de veículos eletrificados provenientes da China registraram fortes aumentos. As compras de automóveis elétricos cresceram 341%, chegando a cerca de US$ 2,4 bilhões; as de híbridos aumentaram 248%, para US$ 641 milhões; e as de híbridos plug-in avançaram 89%, para US$ 2,871 bilhões. A China concentrou 86% das importações brasileiras dessas categorias.
Outro setor em expansão foi o de minerais estratégicos. As exportações brasileiras de espodumênio, um mineral do qual se extrai lítio, utilizado na fabricação de baterias, cresceram 339%, atingindo US$ 172,3 milhões, com a China recebendo 97% das vendas externas do produto. Em contrapartida, as exportações brasileiras de carne bovina para a China caíram 8,5% em valor e 22% em volume. Em setembro, o Brasil esgotou a cota anual de 1,106 milhão de toneladas estabelecida pela China. A partir de 1º de outubro, os volumes que excederem o limite passaram a estar sujeitos a uma sobretaxa de 55%, além da tarifa regular de 12%. Por outro lado, as vendas de carne e miúdos de frango cresceram 113%, atingindo US$ 1,15 bilhão.
Por estados, o Rio de Janeiro liderou as exportações brasileiras para a China, com US$ 20,5 bilhões, impulsionadas pelo petróleo, seguido por Minas Gerais, com US$ 11,8 bilhões, e pelo Mato Grosso. Nas importações provenientes do país asiático, destacaram-se São Paulo, com US$ 15,1 bilhões; Santa Catarina, com US$ 11,9 bilhões; e Espírito Santo, com US$ 5,6 bilhões. Os três estados concentraram 55,7% das compras brasileiras da China.