Na província de Cabinda, Angola, antes do amanhecer, era preciso levantar cedo e percorrer vários quilômetros ao longo de margens lamacentas para buscar água ao rio. Ou, em alternativa, sob o sol escaldante, carregar baldes e galões e esperar ansiosamente à beira da estrada pelo caminhão-pipa, com o suor encharcando as roupas. Essas cenas de “dificuldade no acesso à água”, outrora tão comuns, pertencem agora ao passado.
Com a conclusão e entrada em operação, no ano passado, do projeto de abastecimento de água construído pela China Railway, mais de 600 mil moradores locais se despediram dos métodos tradicionais de coleta de água.
O projeto de abastecimento de água de Cabinda é o maior desse tipo em Angola. Foi projetado para fornecer 50 mil metros cúbicos de água por dia, com cerca de 80 quilômetros de tubulações e 74 pontos centralizados de captação, cobrindo aproximadamente 92% da população da província.
Construído de acordo com padrões chineses, é atualmente um dos sistemas de abastecimento mais modernos da região.
Numa vila em Cabinda, a moradora Maria se preparava para ir a um ponto de coleta próximo. “Antes, buscar água era muito difícil. Tínhamos que caminhar dois quilômetros ida e volta, saindo ainda antes do amanhecer, e, às vezes, fazíamos esse trajeto várias vezes por dia. Na época das chuvas, o rio enchia e a água ficava suja e turva, mas não tínhamos outra opção. Muitas pessoas na aldeia adoeciam por beber água contaminada, especialmente as crianças — era de partir o coração”, contou Maria.
“Agora, o ponto de água fica praticamente à porta de casa. Não precisamos mais ir tão longe, nem nos preocupar com a qualidade. Esta água tem um leve sabor doce”.
O repórter também visitou a estação de tratamento de água localizada em Sassa Zau, que ocupa uma área de cerca de 19,2 mil metros quadrados. Após treinamento oferecido pela parte chinesa, o engenheiro local Leuca já domina todo o processo e a operação dos equipamentos: “A água bruta é captada do rio Chiluango, bombeada até a estação e passa por uma série de etapas — mistura mecânica rápida, floculação e decantação, filtragem e armazenamento — até se tornar água potável limpa e segura”.
Zhang Guoxu, gerente-geral da China Railway 20th Bureau Group Angola International Co., afirmou: “Para garantir o bom andamento do projeto, otimizamos e ajustamos o plano de engenharia mais de dez vezes. Como o solo local é predominantemente composto por camadas de lodo, instalamos 64 estacas de cerca de 30 metros de profundidade para assegurar a estabilidade da estrutura.
A estação de bombeamento está equipada com quatro conjuntos de bombas verticais de eixo longo, operando no sistema ‘três em uso e uma de reserva’, garantindo o fornecimento estável de água bruta à estação de tratamento”.
Frank, presidente da empresa de água de Cabinda, destacou: “A água limpa e segura reduziu também significativamente o risco de doenças. As empresas chinesas construíram para nós um importante projeto voltado ao bem-estar da população”.