Milhares de indígenas de diversas regiões do Brasil marcharam na terça-feira pela Esplanada dos Ministérios, em Brasília, como parte do Acampamento Terra Livre 2026, considerado a maior mobilização do movimento indígena no país sul-americano.
Delegações dos grupos étnicos Apinajé, Gavião, Guajajara, Kokama, Krahô, Krikati, Makuxí, Pataxó, Tikuna e Tupinambá, entre outros, partiram nesta manhã do palco principal do acampamento, localizado no Eixo Cultural Ibero-Americano. De lá, marcharam seis quilômetros até o Congresso Nacional.
Em cumprimento a um acordo com os órgãos de segurança do Distrito Federal, os manifestantes deixaram arcos, flechas, lanças e outros artefatos tradicionais no acampamento. Durante a marcha, ocuparam três das seis faixas e parte do gramado do Eixo Monumental de Brasília.
O Acampamento Terra Livre 2026 teve início no domingo, reunindo representantes de centenas de comunidades indígenas. Em sua Carta de Abertura, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) reafirmou o lema deste ano: "Nosso futuro não está à venda: nós somos a resposta", em mensagem dirigida aos três poderes do Estado.
"Estamos convencidos de que, sem a demarcação e a proteção das terras e territórios indígenas, não podemos falar de um país democrático e soberano. Nossos inimigos históricos avançam por diferentes caminhos, cometendo crimes para diminuir nossos direitos ancestrais", afirma o texto.
Uma das principais críticas do movimento indígena é o chamado Marco Temporal, princípio jurídico que estabelece que os povos indígenas só têm direito às terras que ocupavam em outubro de 1988, data da promulgação da Constituição brasileira.
Em 2023, o Supremo Tribunal Federal declarou esse princípio inconstitucional. No entanto, em 2025, o Senado aprovou uma proposta de emenda constitucional buscando restabelecer o prazo para as demarcações.
Como o texto foi modificado em relação à versão previamente aprovada pela Câmara dos Deputados, a iniciativa retornou a esse órgão e ainda não foi novamente analisada.
Os manifestantes também exigem o reconhecimento de mais territórios. Segundo líderes do movimento, após um período de quatro anos sem novos reconhecimentos, entre 2019 e 2022, o governo Luiz Inácio Lula da Silva validou 20 territórios indígenas, entre janeiro de 2023 e novembro de 2025.
De acordo com a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), essas áreas compreendem aproximadamente 2,5 milhões de hectares de terras protegidas em 11 estados.