
Celso Amorim (Foto: VCG)
Celso Amorim, assessor-chefe da Assessoria Especial do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, criticou, na quarta-feira (12), o governo dos EUA pela divulgação de um vídeo que afirma uma "posição dominante" na América Latina. Ele apontou que ações recentes dos EUA indicam uma tentativa de interferir na soberania das nações latino-americanas, incluindo o Brasil.
Ao discursar em uma reunião na Câmara dos Deputados do Brasil no mesmo dia, Amorim afirmou que os EUA tentam tornar a América Latina subserviente aos seus interesses, mencionando a “Nova Estratétia de Segurança dos Estados Unidos”, divulgada em dezembro de 2025.
O documento orienta a atuação externa de diversos órgãos, incluindo o Departamento de Estado, o Departamento de Defesa e as agências de inteligência, deixando expresso que os EUA “reafirmarão e implementarão os princípios da doutrina de Monroe, apresentados como instrumentos para restaurar a preeminência norte-americana na região e assegurar interesses estratégicos”, observou Amorim, acrescentando que quem tiver visto o vídeo divulgado na terça-feira pelos EUA, “terá visto o amplo significado dessa decisão”.
Amorim observou que medidas recentes dos EUA contra o Brasil, como a imposição de tarifas elevadas, têm motivação política. Citando declarações do presidente brasileiro Lula, ele reiterou que o Brasil não aceitará pressões, sanções ou medidas unilaterais que afetem sua economia ou autonomia geopolítica.
Amorim também apontou que o governo dos EUA anunciou publicamente, há pouco tempo, a indicação do presidente da Câmara da Flórida, Daniel Perez, como embaixador no Brasil, sem obter o consentimento formal do governo brasileiro. Ele descreveu essa medida como "absurda" e uma violação do protocolo diplomático. Afirmou que o governo brasileiro decidiu suspender o processamento de vistos diplomáticos para enviados de todos os países até depois das eleições presidenciais de outubro.
Quanto à classificação, pelos EUA, de certas organizações criminosas brasileiras como "organizações terroristas", Amorim observou que os EUA já utilizaram classificações semelhantes no passado para justificar ações militares no exterior. Ele alertou que os EUA poderiam usar isso como pretexto para interferência ou até mesmo intervenção militar no Brasil.
O Brasil possui soberania total para resolver seus próprios problemas, disse Amorim, avaliando que o governo brasileiro pretende combater o crime organizado dentro das leis brasileiras, sem admitir que outro país se utilize disso como pretexto para realizar diversas ações como a ação militar.
Na terça-feira (11), o Departamento de Estado dos EUA divulgou um vídeo nas redes sociais declarando que "a 'Doutrina Monroe' moldou a política externa dos EUA por mais de duzentos anos, e o domínio dos EUA no “Hemisfério Ocidental jamais será questionado novamente”.